Na declaração final do BRICS, neste domingo, no Rio de Janeiro, o presidente Lula condenou, “nos termos mais fortes”, ataques “mirando civis” da Ucrânia contra a Rússia. Invertendo a situação objetiva do conflito, Lula não citou os maiores ataques russos contra alvos civis ucranianos desde o início da guerra, nem as dezenas de civis mortos e as centenas de feridos na Ucrânia. Lula também falou sobre o conflito em Gaza, sugerindo a retirada de Israel do território. Os chanceleres da Rússia e do Irã estiveram presentes no Rio na conferência do BRICS.
Embora Lula tenha condenado os ataques do Hamas, o governo brasileiro se colocou ao lado dos terroristas e contra Israel desde o inicio do conflito, posição alinhada também à Rússia que mantém cientistas trabalhando em bases iranianas e condenou as reações israelenses e norte-americanas aos ataques iranianos contra civis em Israel.
O governo brasileiro, portanto, segue alinhado ao eixo do terrorismo islâmico e do eurasianismo russo-chinês, posição esperada de Lula, que historicamente esteve ao lado do bloco soviético contra o Ocidente, embora busque manter boas relações com ambos os lados.
A periferia global e os donos do poder
A nova retórica do bloco visa transmitir uma sensação de empoderamento de um lado do planeta marginalizado contra uma elite controladora e financeira, a velha “luta contra o sistema”. No entanto, trata-se de uma velha estratégia revolucionária.
Lula chegou ao poder graças ao apadrinhamento do globalismo internacional, a cargo do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Ambos viajaram, em 1993, a Washington para participarem do Pacto Interamericano, evento considerado marco da união entre a esquerda comunista (do PT) e a social-democracia (representada pelo que seria o PSDB), inaugurando a chamada estratégia das tesouras, quando PT e PSDB comandavam o país sob a forma de uma fachada de oposição. Lula já havia fundado, em 1990, o Foro de São Paulo, organização radical de extrema-esquerda que, no entanto, apostava na tomada de poder pela via eleitoral, embora mantivesse entre seus membros líderes narcoterroristas ligados às FARC, MiR etc, numa colaboração dialética.
A formação do BRICS teve a colaboração evidente dos EUA e da elite econômica de Wall Street, centro financeiro que sustentou a esquerda por décadas. A suposta oposição do bloco ao sistema financeiro internacional é uma fachada para implementar o avanço de uma nova agenda revolucionária global, representada, entre outras coisas, pela nova utopia do mundo multipolar, sul global etc. Este movimento busca romper a polarização, vista como nociva ao estabelecimento do consenso global, procurando unir direitistas e esquerdistas em um novo antissistemismo, pautado por valores disruptivos como criptomoedas etc
No mesmo sentido é possível compreender a taxação de Trump de 10% contra países que se alinharem ao BRICS. Trata-se de um impulso que faltava para a construção de uma nova moeda. Em breve, um novo mundo, menos americano e mais “igualitário” será o palco das discussões cada vez menos permitidas e mais controladas. Afinal, se os globalistas ocidentais gostam de censura, os do BRICS têm o controle como método e estrutura já consolidada.







