Depois de ser cortejado pelos ex-olavistas do Estúdio 5º Elemento, o guru russo e pseudo-arquiteto da “Nova ordem multipolar” participou do evento em comemoração aos 10 anos do BRICS, promovido pelo site de propaganda russa Sputnik Brasil. Dugin palestrou ao lado de nomes do radicalismo como Pepe Escobar e o jornalista norte-americano Glenn Greenwald.
Em sua palestra, Dugin voltou a defender a tese da “Pátria Grande”, cortejando o Brasil como espécie de “líder natural” da região. A velha “integração latino-americana”, pauta do Foro de São Paulo, de Lula e Hugo Chavez, ganha novo fôlego a partir dos novos militantes da multipolaridade, espécie de internacional fascista que se articula para um novo “terceiromundismo”, anticolonialista, antiocidental e profundamente antissistêmico, daí a confluência de movimentos de direita que almejam macular o globalismo como sinônimo de “unipolaridade”, discurso único etc, em preferência a uma nova pluralidade global.
O evento traz nomes importantes das novas ideologias de terceira posição, como Paulo Nogueira Batista Jr., economista brasileiro e ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), Glenn Greenwald, jornalista norte-americano e cofundador do site The Intercept, Elias Jabbour, presidente do Instituto Pereira Passos e Pepe Escobar, jornalista crítico do imperialismo.
Além dos convidados, as premissas revolucionárias são declaradas nas intervenções do ideólogo russo. Dugin afirma que o BRICS “não deve ter partido e deve ser independente de qualquer outro polo, inclusive os EUA ou o Ocidente coletivo”. Em outras palavras, o BRICS deve aliar-se à Rússia, ao Irã, à China.
Ele defende um “novo projeto de integração, não de direita nem de esquerda”, o que ele chama de “independente”. Dugin repete, para levar militantes de todos os lados possíveis, as mesmas premissas do final da Guerra Fria, quando a União Soviética, ao dissolver-se aparentemente, espalhava o comunismo em suas facetas culturais, ambientalistas, comportamentais, para todos os setores do Ocidente.
Em sua Quarta Teoria, Dugin oferece uma espécie de “kit de montagem” para ideologias regionais, todas autoritárias, populistas, mas profundamente relativistas quanto à moral e crenças religiosas: devem cada uma ter a sua crença respeitada, seja qual for. Em um novo relativismo, Dugin remodela o globalismo e dá uma feição à tese globalista clássica, agora mais palatával a conservadores desigrejados, afastados de suas bases.
O site do Instituto Estudos Nacionais é o único que acompanha de perto este movimento que se tornará, em breve, o maior movimento de poder global, graças ao trabalho de grandes Idiotas úteis (título de nosso último livro).




