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Messianismo: Dugin celebra “sagrado e ilimitado poder russo”

25/06/2025
em Artigos EN
Tempo de Leitura: 2 mins de leitura
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O ideólogo russo mais influente do Ocidente, Alexander Dugin, decretou a Terceira Guerra Mundial, celebrou o “poder sagrado e ilimitado” da Rússia e agrupa todos os conflitos globais ao embate entre unipolaridade Ocidental e “multipolaridade”. Há décadas, Dugin vem alimentando conflitos com sua ideologia de caos para fomentar o expansionismo russo em países ocidentais, especialmente entre grupos de direita e de esquerda descontentes com a Modernidade.

Em artigos recentes publicados em seu site Geopolitika, o ideólogo analisa o conflito entre Irã e Israel inspirado na sua metafísica multireligiosa com nova roupagem inspirada no misticismo do Terceiro Reich, interpretando-os como um reflexo de uma continuação da Guerra Fria, agora entre Ocidente e “Multipolaridade”, nações continentais e marítimas, impérios versus nações modernas, que significa nada menos que Rússia unida com os países que acreditam no conto de fadas neosoviético.

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Aproveitando-se dos efeitos da subversão cultural soviética, Dugin agora aposta na subversão espiritual, utilizando-se para isso de uma retórica pseudo-transcendente e anticristã para defender um ultra-relativismo metafísico inter-religioso e multicultural, projeto que nada tem de inovador perto do globalismo identitário contra o qual diz ser o antídoto.

Sua “multipolaridade” é um disfarce para a defesa de uma verdadeira unipolaridade russa, inspirada nas mesmas crenças maçônicas que originaram a Modernidade, com a única diferença de trocar religiões por tradições. Ele se inspirou na retórica do sufi franco-maçom e muçulmano, René Guénon, que refinou o discurso maçônico do indiferentismo religioso para um “indiferentismo tradicional”, facilmente sedutor entre grupos e movimentos revolucionários antimodernos.

Por meio do tradicionalismo, Dugin apresenta uma engenharia ideológica que engana muita gente. Guénon e sua “Escola Tradicionalista” é mesclado às doutrinas teosofistas e suas versões nacionalistas, como a ariosofia e o neopaganismo nórdico, para turbinar o messianismo russo que teve no bolchevismo uma expressão tida como “desastrada”. Com a destreza histórica de que “agora a coisa vai”, Dugin e seus discípulos seduzem conservadores ao esconder suas referências de Aleister Crowley e Madame Blavatsky para defender as “tradições”, no plural e no indiferentismo típico da Modernidade, para enganar movimentos neoidentitários da direita e da esquerda. Para a esquerda, Dugin evoca o clássico discurso anticolonial, enquanto para os conservadores a defesa de “valores transcendentes”, sem explicar que são, no fundo, simplesmente satânicos.

O neoeurasianismo representa a proposta anticristã por excelência: depois do ateísmo, materialismo e individualismo, essas mesmas energias viciosas reaparecem sob a forma de uma proposta de retorno à hierarquia: o trono que se apresenta como antídoto aos erros da modernidade, porém, não é o de Cristo.

Enquanto era divulgador do bruxo satanista Aleister Crowley, nos anos 1990, Dugin aparentemente não havia descoberto a utopia ortodoxa da “Terceira Roma”, mito russo que, resumidamente, se destina a substituir a Igreja Católica Romana pela Igreja Ortodoxa. Se o fato de ser uma igreja cismática já não fosse suficientemente preocupante, Dugin dá ao cristianismo russo uma expressão esotérica e iniciática exclusiva dos russos. Ou seja, não se distingue muito da crença da superioridade espiritual dos arianos, expressa na doutrina ariosofista de Guido Von List, mas adapta o sonho russo de ser uma nação guia do mundo em matéria espiritual.

Tudo isso se alinha ao projeto islâmico de califado universal, já que sendo a Rússia um país multiétnico e multireligioso, não haveria outro meio de produzir união senão pelo indiferentismo relativista apimentado com discurso de força e violência especialmente atraente para os jovens revoltados que se espalham até mesmo entre conservadores antissistema. Longe de combater o globalismo ocidental, como dizem, fortalecem ainda mais as bases espiritualistas que o fundaram, enquanto aparentam combater suas propostas meramente políticas expressas no identitarismo, transumanismo etc.

É claro que para impulsionar essa agenda, toda falsificação é válida. Até mesmo acusar os ucranianos de neonazistas enquanto se inspira na mais profunda e oculta fonte do espiritualismo neopagão que aterrorizou a Segunda Guerra Mundial. De fato, com esse tipo de programa ideológicos, podemos mesmo esperar uma Terceira Guerra. Assim como na Segunda, as ideias mais profundas e influentes do conflito permanecem enganando muita gente em seu início.

Um alerta tardio atual e urgente

O que parece uma loucura, porém, tem seduzido milhares de conservadores (e até católicos) pelo mundo. O Instituto Estudos Nacionais é praticamente o único site que se dedica a alertar para o perigo eurasiano de Dugin e suas doutrinas satânicas. Recentemente, até mesmo o jornalista conservador norte-americano, Cliff Kincaid, recomendou que Trump lesse o livro O Sol Negro da Rússia: raízes ocultistas do eurasianismo, lançado pela Estudos Nacionais Publicações no ano de 2024.

Mais recentemente, reunindo os diversos erros possíveis nas análises geopolíticas e ideológicas atuais, o Instituto lançou também o e-book Não seja um idiota útil: muito além do noticiário político, que se encontra em promoção e traz ainda outros três e-books, como A Rússia e a subversão espiritual do Ocidente, O Mapa da Influência russa no Brasil e A revolução iraniana: as ideias que inspiraram o regime dos aiatolás, disponíveis pelo link.

Autor

  • Cristian Derosa
    Cristian Derosa

    Jornalista e escritor, autor do livro O Sol Negro da Rússia: as raízes ocultistas do eurasianismo, além de outros 5 títulos sobre jornalismo e opinião pública. Editor e fundador do site do Instituto Estudos Nacionais

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