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Rei do Mundo: o livro que fez o tradutor perder três noites de sono

21/07/2025
em Artigos EN
Tempo de Leitura: 2 mins de leitura
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Muitos conservadores estão entrando num mundo que não conhecem, mas acreditam estar meramente fazendo um tipo de divulgação intelectual, um trabalho editorial ou alguma crítica literária. Eles podem estar precipitando suas almas e as de muitos, ao despenhadeiro da loucura, como diria H. P. Lovecraft.

René Guénon não é leitura para inadvertidos. Luiz Pontual, tradutor e antigo proprietário do IRGET (Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais) perdeu três noites de sono. E não foi pela elegância do estilo guenoniano. Foi porque sentiu que o que estava em jogo era real, não meramente simbólico/diabólico. O “Rei do Mundo”, que Guénon descreve, não é uma metáfora e o perenialismo não é só um conjunto de ideias bonitas e pseudo tradicionalistas.

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Como temos denunciado, o interesse por Guénon vem invadindo setores conservadores promovidos por editoras e centros de estudos.

A maioria dos “guenonianos de rodapé” lê Guénon como se fosse um autor acadêmico, quando na verdade ele mesmo insiste, em praticamente toda a sua obra, que o “conhecimento metafísico verdadeiro” é realizável e deve ser realizado. Isto é, Guénon não escreveu para “inspirar” ou “informar”, mas para despertar uma espécie de “intelecto adormecido”, e assim “iniciar” o caminho de retorno à chamada “Unidade Transcendente”. Ele falava de “iniciação verdadeira”, de ritual válido, de transmissão efetiva, de morte do ego, de superação da dualidade e não de debates universitários ou de resgate da estética tradicional. A “Realização Metafísica”, segundo ele, é a identificação do ser com um certo “Princípio”, aquilo que, nas tradições esotéricas, só se alcança por iniciação, disciplina, silêncio e contemplação. Mas o que é realmente isso?

Como dissemos, Luiz Pontual leu “O Rei do Mundo” e, após essa leitura, passou três noites sem dormir. Não se sabe exatamente o que o impactou tanto, mas podemos deduzir pelas entrelinhas:

1. O impacto foi existencial e espiritual, não meramente intelectual.

2. O Rei do Mundo, para os místicos perenialistas, trata da existência de um centro oculto, o Centro Supremo ou Agartha, que governa espiritualmente o mundo a partir do interior da “Tradição”, Centro geralmente localizado nas “profundezas da terra”.

3. A leitura confronta o leitor com a realidade de uma autoridade espiritual oculta, viva e operante. Isso é, além de outras coisas, uma ferramenta que desestabiliza e tenta reescrever certezas modernas sobre a história, a política, e sobre a religião visível.

4. Provavelmente, o que o perturbou foi o reconhecimento de que o mundo não é governado apenas por forças visíveis, e que há uma hierarquia espiritual invisível.

Qualquer pessoa que tenha estudado Guénon e seja membro de sociedades iniciáticas (ou que orbite um centro de iniciação e suas editoras), e estimula a leitura minimizando o impacto espiritual, quer que você caia nas garras da Esfinge.

Essa publicação faz parte de uma sequência de postagens que farei sobre as influências e origens do movimento pseudo-tradicionalista católico e como ele se manifesta, além de, em outras esferas da sociedade, a canalhice diabólica que foi armada por quem estava por trás de Guénon. Um exemplo é a utilização de movimentos como Feminismo e Masculinismo contemporâneos, demandando muita prudência ao aderir a certas narrativas espalhadas pela internet que orbita o meio conservador e católico atual.

Em seus textos, Guénon é incansável na afirmação de que a realização metafísica, a identificação com o Absoluto ou Supra-ser, se dá através da obtenção de certos conhecimentos supra-racionais, e que esses conhecimentos não são obtidos através do processo racional humano, mas são conhecimentos em que “conhecer é igual a ser”. Ou seja, no processo de realização metafísica, o homem sai da sua condição de manifestação no estado humano do ser, se liberta de todas as contingências e se integra, em plena identidade, com a divindade suprema; tudo isso através de um processo espiritual ainda em vida. Em português bem claro: o homem, que é Deus em potência, torna-se Deus em ato através da obtenção de certos conhecimentos iniciáticos. Como compatibilizar isso com a doutrina católica?

Por si só, essa afirmação de Guénon já deveria ser suficiente para fazer os católicos abominarem a doutrina guenoniana da realização metafísica e todos os que a ela se vinculam. Ademais, a doutrina de Guénon é emanacionista e fere frontalmente a verdade católica acerca da natureza de Deus como sendo o Ipsum Esse per se subsistens.

Guénon diz que a verdadeira iniciação esotérica se dá através da recepção de uma influência espiritual, e que somente após o recebimento de tal influência espiritual, poderá o sujeito percorrer o caminho da realização metafísica. Aí eu pergunto, qual a natureza desta influência espiritual? Que influência espiritual seria responsável por fazer um homem apostatar a fé católica e desenvolver um corpo doutrinário que nega a verdade a respeito da essência de Deus?

Não sejam idiotas úteis do demônio. Se forem ler Guénon, saibam a profundidade do abismo em que estão entrando.

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