Houve um tempo em que o site LifeSiteNews era referência entre conservadores católicos sobre conteúdo pró-vida e em defesa da família. Mas isso ficou para trás. Hoje o LifeSiteNews adota de forma reiterada e consciente uma linha editorial compatível com a propaganda do Kremlin, desde críticas à guerra na Ucrânia até a disseminação de peças de desinformação como a dos “biolabs” em território ucraniano. O site mantém grande proximidade com o arcebispo Carlo Maria Viganó, excomungado pelo Papa Francisco no ano passado por desobediência, mas que também mantém proximidade com ideólogos russos.
Embora não haja evidência de apoio financeiro direto, a convergência temática coloca o site no radar como um amplificador importante das posições russas entre públicos religiosos e conservadores no Ocidente. Líderes religiosos e ativistas populares no Ocidente — como os ligados ao World Congress of Families — são também convidados e mencionados pelo LSN, reforçando uma rede transnacional que inclui e recebe apoio russo, como já denunciamos.
Desde o início do conflito em 2022, o LifeSiteNews (LSN) reproduziu e sustentou teorias alinhadas ao Kremlin, como a de que Washington e a Ucrânia orquestraram provocações para atrair a Rússia ao conflito.
Viganó e a Rússia
Carlo Maria Viganó participou de uma palestra junto do ideólogo russo Alexander Dugin, durante a pandemia, antes de ser excomungado. A sua proximidade com lideranças pró-Rússia é confirmada por uma série de fontes, incluindo conferências e influência exercida pelo ex-marqueteiro da campanha de Donald Trump, Steve Bannon, ligado a Dugin.
O arcebispo declarou publicamente que: “A Federação de Rússia se apresenta indiscutivelmente como o último bastião da civilização contra a barbárie…”
Em uma carta enviada em 2023 à Associação Internacional de Russófilos, Viganó disse textualmente
“A crise atual nos mostra o colapso de um Ocidente corrupto, no qual não há um Papa Leão Magno para salvar seu futuro, mas que ainda tem um destino, se recuperar sua missão providencial e reconhecer o que o une à missão da Rússia”.
Viganó subcreveu a visão de Moscou como herdeira da Igreja Ortodoxa e de um legado civilizacional medieval (a “Terceira Roma”); Defendeu a vindoura reconstrução de uma civilização cristã com papel central da Rússia.
Viganó acabou excomungado por indispor-se com o Papa Francisco em 2024. No entanto, a julgar pelas suas declarações em apoio à Rússia e, conhecendo a ideologia russa atual sob a tese da Terceira Roma, resta-nos pontuar que, sendo a tese da Terceira Roma contrária ao ensinamento da Igreja sobre a primazia do papa e da Sé Romana; uma apologia ao cisma e à rejeição da unidade eclesial desejada por Cristo; um projeto ideológico de poder que instrumentaliza a religião para fins geopolíticos, um católico não pode aceitar nem promover a ideia da Terceira Roma, sob pena de aderir implicitamente a um erro doutrinal e cismático.







