(Coleção de postagens do canal do Telegram em formato de artigo)
A direita parlamentar tem buscado meios de pautar uma anistia para os presos de 8 de janeiro, o que incluiria Bolsonaro e todos os que foram e tem sido acusados de tentativa de golpe “contra a democracia”.
O problema da proposta é que ela representa uma confissão de culpa e um tipo de justificativa para a continuidade da injustiça. Trata-se de uma tentativa de reedição do grito de anistia da década de 80, pauta esquerdista do regime militar, propondo um tipo de “perdão” para ambos os lados na esperança de uma espécie de “recomeço” ou reconciliação nacional. O que sempre foi um slogan vazio e mentiroso para a esquerda, como sabemos, passa a ser repetido pela direita. Mas será que mentir como a esquerda trará bons frutos?
Sejamos sinceros. Todo conservador que ver Alexandre de Moraes e Lula na cadeia pelos seus crimes. Na verdade, a direita parece ter uma frieza moral exemplar para defender a anistia para criminosos que vem perseguindo a direita há muito tempo. Como poderíamos pedir anistia a um sequestrador na esperança de que ele liberte seu refém? Isso é negociar com terroristas. Pior: é negociar com o demônio, autor e princípio do mal.
Essa pauta é, portanto, tão inadequada contra os revolucionários quanto tem sido a retórica de “pacificação do país”. Ao contrário, não se combate radicalismo com moderação. Mas enquanto é perseguida e morta, a direita prefere defender apenas o direito de falar, o que acende um importante alerta sobre suas reais intenções e frutos dessa acalorada discussão.
A Revolução a cada dia se radicaliza. Temos movimentos identitários esquerdistas, Black Live Matters, neofascismos, islamismo e até neonazismo cada vez mais extremo e violento. Mas a direita pensa que vencerá a todos propondo um perdão geral, incluindo criminosos. De onde vem essa proposta?
Vem da tradicional emulação do vitimismo da esquerda, uma prática que já se tornou costumeira. Esta é uma estratégia que só faz sentido para os maus. Por que? Porque os maus, sabendo-se errados, têm consciência de que não poderão punir pela justiça os seus adversários e tentam, com isso, barganhar um perdão para eles próprios oferecendo um igual tratamento. Só tira vantagem da anistia quem está contra a lei e contumaz no cometimento de crimes. Quem está certo e justo, apenas terá desvantagem, como de fato tem ocorrido com movimentos conservadores de cunho liberal que buscam acordos com revolucionários.
Quem sabe o perigo que a Revolução e os revolucionários oferecem ao mundo, deveriam saber que a eles não se pode oferecer nenhuma liberdade, nem mesmo de falar. Mas o que pensa a direita? “Ah, é verdade, mas se dissermos isso seremos presos”. Ou seja, há um grande fingimento de que a esquerda possua, em seu fundamento, algo de bom, de benevolente e de pacífico. Usa-se a mentira do adversário na esperança de obter alguma justiça apenas para si (porque liberdade para revolucionários não é uma justiça, mas uma injustiça). Querem plantar injustiça para colher justiça.
Tudo isso porque os conservadores foram, aos poucos, se afundando num pragmatismo extremo, adotando para si todas as premissas da Revolução, de maneira que já nem lembram o que é verdadeiro, falso, justo ou injusto. Tudo se resume a “o que dá pra fazer”. Ou seja, o bom e velho conchavo que Paulo Mercadante bem diagnosticou da mentalidade conservadora brasileira, responsável por todo o estado em que estamos de avanço revolucionário.
A mentalidade revolucionária é um mal objetivo, claro, declarado. Enquanto a direita fingir não perceber as suas mentiras e omitir-se em denunciar abertamente as suas falsidades — antes tentando usá-las contra si mesma em detrimento da verdade — será vítima cada vez mais da própria injustiça e atrair para si um ódio e violência ainda maior da esquerda, seguido, é claro, de muitos risos de zombaria, pois quem planta o mal colhe o mal.
O melhor que qualquer movimento de direita deveria fazer é abandonar o pragmatismo e entregar-se como vítima das consequências de pregar, dizer e defender a verdade contra todo tipo de adversidade. Sem vitimizar-se, mas, ao contrário, compreender a ligação íntima que possui com a verdadeira e única tradição que construiu a civilização que hoje foi reduzida a ruinas. Reerguer essa civilização demanda almas autênticas, radicais e verdadeiramente empenhadas no combate contra as insídias diabólicas, que têm o nome de Revolução. Isso só pode ser feito pela defesa intransigente e ordenada da fé católica, da doutrina e da Santa Igreja.
Muitos podem achar excessivo esse caminho, prevendo danos à imagem e à estratégia de ocupação de espaços. No entanto, basta compreender a natureza real do inimigo para concluir qual é o seu antídoto perfeito.
Direita revolucionária e direita liberal: quem vence?
Existe uma direita revolucionária e uma liberal. Nenhuma das duas traz vantagens sobre a Revolução por razões óbvias. Mas quando a direita liberal usa de meios revolucionários, está favorecendo ainda mais o crescimento e avanço de uma parte revolucionária que há alguns anos vem crescendo para assumir de vez o posto deixado para trás graças à tibieza.
A sanha censuradora e persecutória da esquerda e do sistema Judiciário, representada por Moraes, não é uma estratégia literal de calar e prender a direita tão somente. Ela faz parte de uma tática de saturação que tem o objetivo de empoderar uma parte da direita muito pior e realmente ao gosto da imagem caricata associada por longo tempo pela esquerda. E parte considerável dessa mesma direita perseguida está caindo direitinho nessa armadilha.
São vários os elementos que nos podem dar a certeza de que a direita revolucionária será a “nova onda” da política mundial mais cedo ou mais tarde. Uma delas é a qualidade das suas análises e reações frente às da velha direita conservadora, bolsonarista (no Brasil) ou liberal em outras partes do mundo.
Diferente da ala liberal, os revolucionários percebem melhor a gênese dos movimentos modernos e suas raízes profundas. Com isso, reagem de maneira assertiva e sem medo às mentiras da modernidade, propõem alternativas audaciosas e, com isso, rompem tabus que a direita liberal e conservadora teme devido ao constrangimento dos estereótipos criados pelo politicamente correto: a direita liberal necessita parecer tão igualitária quanto a esquerda woke.
Também diversamente dos conservadores que pregam a “leitura de clássicos” e aquisição de uma suposta “alta cultura” para, com isso, serem bem vistos pela esquerda cult e mainstream, essa direita neofascista, que é profundamente revolucionária e com raízes no esoterismo de via da mão esquerda, vê a si mesma como uma arma, uma bomba suicida, uma máquina kamikazi, e por essa razão não teme ser chamado de nada que a modernidade considere execrável.
Ao passo disso, a direita moderna e conservadora acha que precisa estar bem cotada entre certas elites, defendendo liberdades, direitos, num ideal de continuidade da civilização ocidental, mas misturados aos erros modernos. Uns ainda conhecem os princípios tradicionais e católicos em profundidade, mas pensam ser capazes de, num golpe de retórica, conduzir a verdade ao trono do mundo pela via sagaz da mentira.
O peso do sobrenatural
Dito isto, é fácil concluir quem se fortalece a cada dia. Há que se considerar também o mundo sobrenatural, este tema do qual a direita liberal foge com o diabo da cruz.
A direita neofascista e revolucionária vencerá, além disso, por contar com a ajuda do pai da Revolução e seus operários, os demônios, que não se importam em jogar fora uma parte da sua revolução (materialismo, individualismo e modernidade) para estabelecer um reinado estatal de um império místico que erguerá o trono satânico sobre as nações.
Contra isso, a direita conservadora, apesar de favorável à Igreja e dizer-se do lado dela, prescinde do auxílio da Graça a cada omissão, a cada estratégia malfadada, politiqueira eleitoral ou intelectualista, por prescindir justamente da fidelidade radical à raiz da linhagem a que diz pertencer.
Sedução dos reinos deste mundo
A direita atual, que tenta se contrapor ainda ao mero globalismo, faz isso com um falso senso de responsabilidade, como se ela tivesse o papel de herdar o mundo com as próprias mãos e, depois, devolvê-lo ao cristianismo (sim, genericamente, incluindo todas as pessoas de “boa vontade”). O que falta a eles é o que sobra aos revolucionários: a noção de que neste mundo não temos absolutamente nada a perder. No caso dos revolucionários, eles perderão o mundo e suas almas por se debruçarem nos trabalhos diabólicos do caos contra o mundo. Já os conservadores, especialmente quando católicos, precisam entender que se quiserem salvar este mundo podem perder suas almas no processo.







