A memória contagiosa

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Senior caucasian man sitting on a couch and waiting alone for Christmas / New Year's eve.
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O risco de contaminação pelo novo coronavírus está perambulando o mundo desde o final do ano passado, mas, mesmo assim, liberaram o Carnaval. Eu trabalhava como motorista de aplicativo naquela época e me lembro de ficar receoso a cada ida ao aeroporto ou rodoviária. Sempre andei com álcool em gel no carro. Não por medo de doença, mas porque quem trabalha na rua não tem outro meio de higienizar as mãos.

Foi-se o Carnaval e, com seu fim, o sinal para que os jornais começassem o terrorismo psicológico. Menos de um mês de investida e já estava tudo fechado. Escola, faculdade, comércio, igreja… “Até a Igreja, meu Deus do céu?!”, pensava eu.

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Na Páscoa, nós, cristãos, congregamos em frente a uma tela participando de um culto ou missa virtual.

Desde o começo, nada fez sentido. É claro que ficamos assustados com um novo vírus que ninguém sabia direito como se propaga nem como age no organismo humano. Tanto mais quando tudo que se via pela mídia era terrorismo apocalíptico e quase nenhuma informação concreta. Fui, então, fazer minha lição de casa. Procurei pessoas de minha confiança para entender um pouco mais sobre a biologia do vírus e sobre o risco real representado por ele. Procurei o máximo de informações disponíveis na internet fora dos meios jornalísticos. Enfim, busquei compreender de fato o que estava acontecendo. Não me contentei apenas com o que a mídia mainstream dizia que estava acontecendo. Até que entendi que toda aquela histeria só fazia sentido se o sentido fosse causar histeria.

Pois bem. Meses se passaram com uma guerra de informações “da pesada”. Remédio pode, remédio não pode, fecha isso, abre aquilo, máscara assim, máscara assada, sem máscara alguma. Vacina? Deus me livre versus quem me dera. Usaram o medo da morte para fazer o diabo na cabeça dos espectadores de jornais. “E a Igreja, meu Deus do céu, volta quando, hein?”, pensava eu enquanto se passavam os dias.

Até que chegou a época das eleições municipais. “Essas eleições serão diferentes”, diziam os especialistas em obviedades. Contudo, os dias foram passando e as campanhas aconteceram sem muita preocupação sanitária. “Ué, cadê o vírus letal que não aparece nos comitês?”. Políticos e mais políticos se aglomeraram ao redor do país para fatiar o bolo da democracia enquanto eu e você passamos meses em casa comendo o pão bolorento das mentiras jornalísticas. Não deu outra: a abstenção dos eleitores bateu recordes mas não foi suficiente para impedir que os políticos comemorassem a festa da democracia nas aglomerações de seus comitês partidários.

Lá se vai 2020 e apenas duas festas foram permitidas neste ano: o Carnaval e a grande Festa da Democracia (sic).

Agora, pois, se aproxima o Natal, e o terrorismo politico-midiático é retomado na nossa cara desavergonhadamente. Depois de banquetearem-se na balbúrdia carnavalesca e de surrupiarem a nação com a lorota democrática, querem nos impedir de celebrar o nascimento do Cristo da mesma forma que nos impediram de celebrar o seu sacrifício na Páscoa.

“E a Igreja, meu Deus do céu, vai ficar calada e aceitar novamente essa trama de mentiras?”, continuo pensando eu.