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O ateísmo militante, segundo Harold J. Berman, especialista em direito soviético de Harvard, era o credo estatal da União Soviética. A militância deve sua origem ao ditado marxista-leninista de que a religião era o “ópio do povo”.

Em 1932, uma organização chamada Liga dos Ateus Militantes, fundada em 1929 que reunia cerca de 5,6 milhões de funcionários, enviou seus militantes a regiões rurais do país para “converter” pessoas ao ateísmo. Eles utilizavam argumentos embasados na assustadora literatura ateísta do regime, com um total de 800 milhões de páginas, de acordo com informações do livro “Biografias do clero católico e leigos reprimidos na União Soviética”, de Irina Osipova e Bronisƚaw Czaplicki, traduzido do russo por Geraldine Kelley.

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Obviamente, quem não recebesse bem os membros da Liga e sua “mensagem”, acabava sendo levado a campos de trabalhos forçados, torturados e mortos. Milhares de clérigos e religiosas, fiéis e habitantes das regiões rurais foram martirizados por causa de sua fé.

O trabalho científico de levantamento dos mártires do comunismo estimou que, de 1918 a 1953, cerca de 1.900 clérigos foram martirizados pela ditadura socialista de Stalin e Lênin.

A União Soviética foi o primeiro país do mundo a ter como objetivo ideológico a eliminação da religião. Para isso, promovia campanhas antireligiosas e que ridicularizavam principalmente a fé cristã. Funcionários do governo trabalhavam incansavelmente para extinguir da sociedade qualquer vestígio da religião, vista pelo regime como o “ópio do povo”.

De acordo com os arquivos da Livraria do Congresso americano, nas décadas de 1920 e 1930, durante o primeiro governo comunista, de Lênin, o governo centrou os ataques à Igreja Ortodoxa russa, que tinha o maior número de fiéis. Quase todo o seu clero, e muitos de seus fiéis, foram baleados ou enviados para campos de trabalho. As escolas teológicas foram fechadas e as publicações da igreja foram proibidas. Em 1939, apenas cerca de 500 das mais de 50.000 igrejas permaneciam abertas.

Etapa do nacionalismo anticristão

Após o ataque da Alemanha nazista à União Soviética, em 1941, porém, Joseph Stalin percebeu que poderia usar a Igreja Ortodoxa para reforçar o nacionalismo em tempos de guerra. Em 1957, cerca de 22.000 igrejas ortodoxas russas haviam se tornado ativas. As campanhas associavam a imagem do próprio Stalin como se fosse um santo piedoso, estimulando uma verdadeira idolatria em torno de sua imagem.

Em 1959, Nikita Khrushchev iniciou sua própria campanha contra a Igreja Ortodoxa Russa, forçando o fechamento de cerca de 12.000 igrejas. Em 1985, menos de 7.000 igrejas permaneceram ativas. Membros da hierarquia da igreja foram presos ou forçados a sair, seus lugares ocupados por clérigos dóceis, muitos dos quais tinham laços com a KGB.

As campanhas contra outras religiões estavam intimamente associadas a nacionalidades específicas, especialmente se reconhecessem uma autoridade religiosa estrangeira como o Papa. Em 1926, a Igreja Católica Romana não tinha mais bispos na União Soviética e, em 1941, apenas duas das quase 1.200 igrejas que existiam em 1917, principalmente na Lituânia, ainda estavam ativas.

A Igreja Católica Ucraniana (Uniate), ligada ao nacionalismo ucraniano, foi subordinada à força em 1946 à Igreja Ortodoxa Russa, e as Igrejas Ortodoxas Autocefálicas da Bielorrússia e da Ucrânia foram suprimidas duas vezes, no final da década de 1920 e novamente em 1944.

Antissemitismo

Os ataques ao judaísmo foram endêmicos durante todo o período soviético, e a prática organizada do judaísmo tornou-se quase impossível. Denominações protestantes e outras seitas também foram perseguidas. O Conselho de todos os sindicatos de batistas cristãos evangélicos, estabelecido pelo governo em 1944, normalmente era forçado a limitar suas atividades ao estreito ato de adoração e negava a maioria das oportunidades de ensino e publicação religiosa. Receoso de um movimento pan-islâmico, o regime soviético suprimiu sistematicamente o Islã pela força, até 1941.

De acordo com documentos históricos, a invasão nazista da União Soviética naquele ano levou o governo a adotar uma política de tolerância oficial ao Islã, enquanto incentivava ativamente o ateísmo entre os muçulmanos.

Fontes:
As informações são dos sites Martyred In The URSS e Biblioteca do Congresso Americano.

 

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