Em um artigo publicado no site InfoCatólica, o padre Martin Grichting questiona a nomeação da religiosa Simona Brambilla como a primeira mulher a presidir o Dicastério para as Instituições de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Segundo ele, a nomeação, feita pelo Papa Francisco, estaria em franca oposição ao que prevê o Concílio Vaticano II, usado como princípio da tão falada sinodalidade.
De acordo com o sacerdote, o Concílio nos ensina que o sacramento da Ordem (ordenação sacerdotal, restrita aos homens) confere o “ofício de governar”. Na Igreja, o direito precisa estar amparado e justificado na doutrina.
Por sua natureza, recorda, Brambilla obviamente não pode receber o sacramento da Ordem.
O Papa Paulo VI, na nota explicativa prévia da Lumen Gentium, deixara claro que:
“Na consagração se dá uma participação ‘ontológica’ nos ‘ofícios sagrados’, como sem dúvida consta da tradição também litúrgica”.
Recorda o padre que, “sem esta participação ontológica através do sacramento da Ordem, não pode haver uma definição jurídica mais precisa do poder de governo”.
Em outras palavras, recorda ele, em tempos de propalada sinodalidade, o Papa Francisco parece ter rechaçado de maneira não sinodal o próprio Concílio Vaticano II sobre uma questão dogmática central. O sacerdote recorda em seu artigo que esta questão concerne “à essência da Igreja e um dos sete sacramentos”.
Ainda assim, a chamada “prefeita”, como escreve o padre, continua no cargo a ela dado ainda após um ano do suposto rompimento com o Concílio.
Além disso, recorda, Joseph Ratzinger, em um ensaio de 1970, intitulado “Democracia na Igreja. Possibilidades e limites”, que a separação entre o poder da Ordem e o poder de governo é “objetivamente inadmissível”.
“O sacramento se entenderia só ritualmente e não como um mandato para guiar a Igreja, através de palavras e da liturgia. Já o governo, seria visto como um assunto puramente político-administrativo – porque a Igreja mesma é objetivamente vista somente como um instrumento político. Na realidade, o cargo de pastor na Igreja é um ministério indivisível”.
Com base nestas considerações, o padre Grichting questiona se o Papa Leão XIV estaria rechaçando definitivamente o Concílio Vaticano II sobre esta questão fundamental da fé, abrindo para a questão da ordenação de mulheres (tema que Prevost muitas vezes rechaçou publicamente). Ora, o argumento do Concílio resolveria essa questão definitivamente.
Quem desejar argumentar agora em favor da sacrílega a herética ordenação de mulheres poderia utilizar o fato da nomeação de Simona Brambilla como argumento. Afinal, na Igreja já se pode governar sem o sacramento da Ordem, como prova a “prefeita” há mais de um ano no cargo.
Se o sacramento da Ordem não é necessário para o governo na Igreja, então resulta ter sido rebaixado a um ritual mágico, um misticismo sem motivo e acidental, como uma medalha honorífica etc.




