Em visita à Turquia, o Papa Leão XIV visitou a famosa Mesquita Azul do país, templo de grande importância para os islâmicos do país. Em dado momento, o Sumo Pontífice foi convidado a rezar na mesquita, assim como feito por pelo menos dois antecessores. Educadamente, Leão XIV declinou do convite e continuou o passeio turístico pelo templo maometano.
Da mesma forma como o Papa tem rezado publicamente o Credo com igrejas ortodoxas cismáticas omitindo propositalmente os trechos polêmicos que incluem heresias (do ponto de vista romano), como o Filioque, Leão XVI tem procurado evitar o escândalo diante dos católicos, coisa que o papa anterior parecia não se importar muito.
A razão de não ter rezado na mesquita, desta forma, pode estar intimamente ligada ao seu objetivo na viagem à Turquia e, além disso, ao próprio tom do seu pontificado na busca por redução das divisões internas e o cuidado com posturas dúbias, confusas e pouco claras em matérias doutrinais. O maior objetivo da viagem. como sabemos, foi a meta do Vaticano em aproximar-se das confissões orientais que estão afastadas. O ecumenismo parece ser mais importante para Leão do que o Diálogo Inter-religioso. Isso retira do interesse o islamismo, que é majoritário na Turquia, onde cristãos são minoria. A minoria é obviamente pressionada pelas conversões ao islã nestes países, sendo a religião de Maomé tradicionalmente hostil aos cristãos. Recentemente, ataques a igrejas em países islâmicos causaram grande preocupação no Pontífice e entre os cristãos do mundo inteiro.
Outro fator que pode ter pesado foram as críticas feitas ao Papa Francisco quando esteve no país por parte dos nacionalistas turcos, especialmente os cristãos. Assim como Bento XVI, Francisco rezou quando esteve na mesquita. O Papa Leão é diferente neste ponto.
Mais preocupado com a união e redução das divisões internas entre cristãos, e mesmo dentro da Igreja, essa viagem teve como uma das frases de destaque do Pontífice o apelo a eliminar “o escândalo das divisões”.
Postura dúbias foram o grande motivo de divisões internas aprofundadas no pontificado anterior em diversas ocasiões que não cabe enumerar aqui. Tais divisões já vinham dos dois pontificados anteriores, diga-se: São João Paulo II chegou a beijar o Alcoorão, livro sagrado muçulmano, enquanto Bento XVI rezou na mesquita. Declarações de Francisco conseguiram ir além e causar ainda maior escândalo entre católicos mais zelosos quando, em viagem ao Nepal, disse que “toda religião leva a Deus”. A frase, assim como a conduta dos pontífices anteriores, associam-se ao objetivo de ampliar o diálogo com outras religiões e oportunizar a aproximação por meio de uma “dosagem da verdade”, forma de apostolado consagrada no catolicismo moderno pós-conciliar. Acontece que este tipo de abordagem vem criando grande cansaço e mostrando ter sido a causa de certo esfriamento na fé, para não dizer do crescimento da apostasia.
Na teoria, essas posturas aparentemente dúbias não deveriam indicar uma relativização da fé quando são dirigidas e divulgadas somente aos não cristãos, mas vistas como meio de aproximar os que estão fora. Acontece que isso virou a regra, não a exceção.
Mas não vivemos mais no mundo das tribos indígenas isoladas, onde jesuítas chegavam e se aculturavam, falando coisas que só eram ouvidas por não cristãos. Para se ter uma ideia da desatualização dessa abordagem. Em um mundo globalizado, é evidente que declarações e atos deste tipo chegam também aos ouvidos dos católicos, os “pequenos” referidos por Nosso Senhor Jesus Cristo. E ai daqueles que escandalizarem! Sabemos bem qual o castigo recomendado por Cristo quanto aos escândalos.
Ao contrário, portanto, dessa abordagem, o Papa Leão XVI parece mais atualizado. Ele possui a clara preocupação em evitar o escândalo. Ele também tem procurado dirigir-se também aos católicos e não somente ao mundo, embora não deixe de fazê-lo.
Pontos destoantes da política de Leão, porém, aparecem em exemplos como a nota do Dicastério para a Doutrina da Fé, de autoria do polêmico cardeal Victor Fernandez sobre os títulos marianos, que depois foi “consertada” por uma declaração em que o prelado afirma que o termo “corredentora” não está proibido, mas apenas vetado dos textos eclesiásticos.
A confusão e dubiedade que o Pontífice tenta reduzir ainda permanece, porém, na Cúria que restou do pontificado precedente. Resta saber quanto tempo nomes polêmicos e escandalosos permanecerão em seus postos a usurpar a estrutura da Igreja para publicarem e declararem o que bem entendem.




