Em um mundo de relativismos, prevalece o diálogo e a tolerância com tudo o que é mal, enquanto não se tolera nem se dialoga com tudo o que é bom. No caso em questão, cabe ao católico de caráter combativo criticar e alertar as pessoas para erros e perigos, especialmente os espirituais. Diante disso, porém, os apóstolos do diálogo e da tolerância são os primeiros a condenar qualquer manifestação como “censura”. Para estes, não há lugar no mundo para a expressão católica. No entanto, o católico combativo é e deve ser um inconveniente.
Diante da recente crítica publicada por nós ao livro Dugin Contra Dugin, de Charles Upton, alguns comentários e alguns argumentos por nós já bem conhecidos nos fizeram refletir sobre a necessidade deste editorial. Afinal, é próprio dos revolucionários o cinismo e a falácia. Mas até que ponto devemos explicar nossas razões? O problema real está no nosso dever, intransferível, expresso nos compromissos do Batismo. Para alguns, uma bobagem, um exagero. Para nós, o fervor necessário e, na verdade, mínimo.
Dizia dr. Plinio Corrêa de Oliveira que o católico deve desiludir-se da ideia de um apostolado conveniente e que não faça inimigos. “O apostolado reto os fará em grande quantidade”, disse referindo-se aos inimigos devidos ao católico. Devidos e até desejados. Devemos ansiar pela inimizade com o que é mau, sermos intransigentes com o erro e íntegros na defesa da fé católica. Aos cínicos isso parece hipocrisia, falsidade ou até carolice. Isso porque estão cegos pela ausência de fé ou por uma fé relativa, fraca e sem materialidade.
O Instituto Estudos Nacionais foi ao longo do tempo se tornando uma voz católica mais radical devido à percepção de que o processo revolucionário não é um mero resultado das ações humanas, mas um fruto permitido por Deus da ação diabólica do mundo, graças às portas abertas pelo homem.
O peso e a cruz do catolicismo combativo não pode ser negado por nós. Isso não nos cabe e fazê-lo seria uma soberba diante do que nos foi dado. A quem muito é dado, muito será cobrado. E o que recebemos? Foi-nos dada a Redenção pelo sangue de Cristo. O que devemos fazer? Devemos amar a Deus sobre todas as coisas, com todas as nossas forças, nossa alma e nosso corpo, com todo o nosso entendimento. Não há espaço para omissões e respeito humano. Se a nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra as potestades infernais, tudo o que temos precisa ser direcionado a este fim último.
Cristo poderia redimir a humanidade com um gesto, um sorriso do Menino Jesus ao Pai Criador. Isso seria suficiente, sendo Ele o próprio Deus. Mas não. Ele quis vir ao mundo, encarnar-se em nossa natureza para sofrer por nossas misérias. O sofrimento cruento da cruz nos dá um recado. A linguagem de Deus é a do exagero. Exagero de sofrimento, de entrega e de combate contra a soberba e a vaidade que há em nós. Quem somos nós para calar? Quem somos nós para estarmos de bem com todos? Quem somos, portanto, para não sofrer?
Afinal, pode o católico não ser combativo? No Dia do Juízo, nos será cobrado o quanto amamos a Deus. Esse amor não é um sentimento emocional, restrito a uma parte psíquica ou emotiva do nosso organismo, mas uma expressão que deve crescer e ser difusiva ao longo de nossa vida para abarcar todo o nosso ser, incluindo aí tudo o que somos e temos.





