Imediatamente após a notícia da sanção contra o ministro Alexandre de Moraes, que inclui restrições financeiras ao sistema ocidental, a UnionPay, maior operadora de cartões da China, iniciou operação no Brasil por meio de parceria com a fintech brasileira Left (Liberdade Econômica em Fintech), ligada ao ex-deputado petista Marco Maia. A empresa foi investigada na CPI do MST por suspeita de atuação do movimento no mercado financeiro. A notícia sobre a chegada da UnionPay trazida pelo banco esquerdista de Maia foi publicada há uma semana, mais ou menos durante o auge da crise entre Brasil e EUA que está levando a uma escalada de taxação do governo Trump contra o Brasil devido ao seu alinhamento com regimes antiocidentais.
A empresa chinesa é uma peça fundamental do sistema financeiro chinês, que inclui o sistema de “Crédito Social”, integração entre créditos e comportamento político dos cidadãos, o que funciona dentro de uma engrenagem de vigilância política mantida pelo regime comunista.
De acordo com o blog de Claudio Dantas, a empresa chinesa será responsável por emissão dos cartões no Brasil e consequente integração da bandeira chinesa com os bancos nacionais, maquininhas e sistemas de pagamento. Isso tudo deve começar a funcionar ainda este ano.
O acirramento das relações comerciais com os EUA estão levando a restrições às bandeiras Visa e Mastercard, principais concorrentes da UnionPay, que funciona como alternativa concorrente ao SWIFT, usado por nações ocidentais. A Left garante que a implantação do sistema chinês será gradual, ou seja, a chegada da bandeira é apenas o começo de um longo processo de aproximação financeira com o regime comunista chinês.
Ainda de acordo com o blog de Dantas, o professor e financista José Kobori, do banco Left, confirmou o significado geopolítico da parceria. Segundo ele, a UnionPay oferece “uma alternativa real, inclusive para transações internacionais que não precisam mais passar pelo dólar americano”. A aparência de negociação mercadológica e meramente financeira esconde a natureza política da ação de claro enfrentamento aos EUA e naturalmente ao Ocidente.
“Esse movimento da UnionPay vindo para o Brasil, no meu ponto de vista, usando uma desculpa de competição de mercado para justificar um movimento político, sem dúvida, é puxado pelo BRICS“, afirmou o economista Hugo Queiroz ao blog de Dantas.
Há algum tempo, Lula tem defendido a criação de uma moeda do BRICS como alternativa ao dólar para transações comerciais internacionais. A crise com os EUA deu oportunidade de justificar a necessidade de independência nacional dos EUA, o que ocorre no mesmo sentido da aproximação e dependência de regimes comunistas de caráter totalitário.
Os regimes associados ao BRICS reúnem o resgate de uma polaridade antiocidental que procura proteger a liberdade de seus governos para violações de direitos humanos justificadas por suas ideologias. Eles defendem a legitimidade regional e tradicional de suas alternativas políticas contra intervenções ocidentais. Em defesa da diversidade e multiculturalismo, eles buscam se opor à vigilância moral de países ocidentais como os EUA, criticando a velha posição de “polícia do mundo”. Na prática, desejam violar direitos e liberdades sem possibilidade de intervenções ou críticas.
Essa nova geopolítica e suas ramificações têm sido explicadas há alguns anos pelo Instituto Estudos Nacionais, que com exclusividade, observa o crescimento das chamadas ideologias de terceira posição, que incluem o fundamentalismo islâmico, populismos revolucionárois que se apresentam como “de direita”, impulsionados por resgates de tradições não ocidentais e neofascismos pelo mundo. Essas ideologias se opõem principalmente aos EUA e incluem grupos e movimentos de extrema direita e de extrema esquerda.
Sanções maiores por vir
Os objetivos políticos de Lula já foram percebidos pelo governo Trump, que está atento ao contexto geopolítico de guerra entre nações e continentes. O BRICS vem se tornando cada vez mais agressivo contra as potências ocidentais na medida em que acumula força política e espalha suas ideias antiocidentais por países que se alinham progressivamente a China e Rússia.
Segundo o economista, a tentativa de desdolarização e o uso do CIPS para contornar restrições da Lei Magnitsky podem acirrar ainda mais a tensão com os Estados Unidos. Embora considere a medida com dificuldades de consolidação no mercado nacional, devido às dificuldades técnicas e de aceitação das novas bandeiras, o economista consultado pelo site considera o movimento “politicamente relevante”.
Vale ressaltar que o tipo de mentalidade dessa linha de nações e regimes não costuma se preocupar muito com adaptação popular nem aceitação social de suas imposições.



