Em sua obra, o sufi esotérico René Guénon se refere a uma ligação com o que ele chama de “não-ser”.
Esta metafísica tem como uma de suas origens remotas a filosofia de Parmênides, mas seu desenvolvimento levou até a especulações modernas que geraram tanto o ateísmo contemporâneo quanto o fascismo, na acepção de intelectuais como Martin Heidegger. Tema caro aos ocultistas, a ideia do não-ser tinha suas justificativas na Antiguidade e sua filosofia. Após o início da Cristandade, porém, este conceito passou facilmente para uma especulação contrária à fé. Não por acaso, a definição foi reapropriada no início da modernidade por intelectuais humanistas no anseio de uma recuperação das filosofias perdidas no período referido por eles como a “idade das trevas”. Mas além do campo filosófico, o conceito do não-ser teve origem no âmbito religioso pré-cristão.
O padre argentino Julio Meinvielle, em seu livro De la cabale au progressisme, traz importantes informações para se rastrear o verdadeiro nascimento da metafísica do não-ser, por volta de 6 mil anos atrás, proveniente da região do Egito.
Segundo o padre, a ideia metafísica do não ser, ou supra-ser, provém da Cabala e do gnosticismo e se refere à crença numa divindade superior ao Ser, superior à divindade criadora. Isto remete imediatamente ao demiurgo gnóstico, o deus mau que teria criado a matéria, como acreditavam os primeiros gnósticos. Esta crença, que atravessou os séculos e milênios mais ou menos inalterada, tendo apenas algumas adaptações para cada época, constituiu a síntese dos cátaros e demais gnósticos e acabou sistematizando toda a modernidade, como bem diagnosticou Eric Voegelin. Esta gnose moderna tem origem nas tradições orais da região do Egito de 4 mil anos a. C. Foi igualmente no Egito que os judeus tiveram contato com este sistema de crenças, por volta do século XIII a. C., o que teria dado origem à Cabala ou Kabbalah. Esta origem equivale a cerca de 6 mil anos atrás, data que tradicionalmente se relaciona com o início dos tempos, isto é, o tempo de Adão e Eva. Seria a tese do não ser (ou supra-ser) aquele conhecimento transmitido a Eva pela antiga serpente?
Assim como as filosofias orientais dos budistas e hinduístas, uma ligação com um “nada” sintetiza uma busca por realização. Guénon repetidamente fala na necessidade de uma “realização metafísica”, tema também associado à Kabbalah, o esoterismo judaico que influenciou os primeiros hereges da cristandade.
O escritor católico francês, Antonie de Motreff, delineia a influência ocultista e mágica de Guénon a partir de sua ligação com ocultistas como Martinez de Pasqually, passando por St Martin, Stanislas de Guaita e Gérard Encausse, conhecido pelo pseudônimo Papus.
É fácil concluir que, embora Guénon parecesse buscar um aprofundamento do simbolismo católico na procura de uma restauração da ordem tradicional para o Ocidente, tal ordem não era a ordem católica, mas muito pelo contrário, a submissão do Ocidente a uma elite oriental luciferiana e a subjugação da Igreja Católica aos sacerdotes zoroastristas que têm como chefe o Rei do Mundo, outro conceito ocultista resgatado por Guénon que guarda incríveis similaridades com um típico satanismo.
Trecho acima foi extraído do e-book Raízes ocultas da Nova Direita, disponível aqui.




