Apesar do apelo ao islã e ao resgate das tradições que identificavam o povo iraniano, os líderes revolucionários estavam mais inspirados por fontes europeias e bastante ocidentais. A ideologia que uniu a coalizão revolucionária nascia de uma combinação pan-Islã xiita, populismo político e um radicalismo religioso xiita, conforme argumenta Ervand Abrahamian. Os slogans revolucionários eram de “Independência, Liberdade e República Islâmica”, expressando bem essa fusão um tanto ocidentalista, rejeitando a monarquia, a dominação ocidental e as desigualdades socioeconômicas sob uma retórica bastante moderna.
Ali Shariati, figura-chave nesse movimento, reinterpretou o xiismo como “ideologia de libertação” inspirada em Marx, Fanon, René Guénon e uma teologia da libertação islâmica. Ele defendia uma revolução nacionalista para romper com o imperialismo norte-americano e britânico que oprimiam o país e revolução social do Ocidente para criar uma sociedade sem classes, afirmando que o xiismo genuíno era “um projeto de mudança total”. A influência de Martin Heidegger pode ter sido crucial para a atualidade do regime iraniano na conjuntura de uma nova ordem multipolar liderada pela Rússia contra o Ocidente.





