O jornalista espanhol Inigo Dominguez, em artigo publicado no jornal El País, explica a sensação de caos observada diante do Conclave, em que nenhum lado sabe ao certo quais são os candidatos favoritos. De um lado, os conservadores possuem vozes fortes, mas que enquanto papáveis são opções radicais demais para uma tendência conciliadora entendida como necessária no atual momento. Embora confiem nessas vozes — Burke, Sarah, Müller e Dolan, não votariam neles. Do lado progressista, o problema oposto: há tantos favoritos a continuar o legado de Francisco que isso dispersa os votos entre eles, não obtendo um nome forte.
O cardeal Pietro Parolin, inicialmente considerado favorito, perdeu apoio devido a tensões tanto com conservadores quanto com progressistas. De acordo com Dominguez, o candidato que está sendo cogitado é o húngaro Peter Erdo, que já era candidato papal em 2013, e estima-se que tenha obtido cerca de vinte votos. Pode ser considerado conservador, mas suas inúmeras qualidades e extensa bibliografia teológica, muitas vezes “transmite poucas emoções”. Ou seja, ele seria um desses grandes eleitores que pode direcionar seu voto para outra opção.
A ausência de um candidato claro pode levar a um conclave prolongado, com possibilidade de bloqueios e a emergência de um “outsider” como Robert Francis Prevost, cardeal norte-americano de 69 anos que poderia atrair votos de ambos os lados. Prevost é considerado próximo de Francisco, mas tem contra si o fato de ser dos EUA.
As votações decisivas ocorrerão nos dias 7 e 8 de maio, e se não houver consenso e se mantiver o clima de mistério, aumenta a probabilidade de uma escolha surpreendente.





