Em um vídeo recente que vem circulando nas redes sociais, o bispo Auxiliar do Ordinariado Militar do Brasil, Dom José Francisco Falcão de Barros, demonstrou apoio aos Arautos do Evangelho, que vem sofrendo perseguição nas mãos do Cardeal Braz de Aviz. No vídeo, o bispo elogia e declara apoio à instituição no final da santa missa em que presidia.
“Eu não apenas suporto a pureza de vocês. Eu admiro a pureza de vocês”, disse o bispo. A frase é uma clara referência à declaração privada de Dom Braz de Aviz, revelada recentemente no livro publicado pelos Arautos, quando o cardeal era arcebispo de Ponta Grossa. Na ocasião, Braz de Aviz declarou “eu não suporto a pureza deles”, a um advogado amigo seu, que ficou escandalizado com a frase.
Em outro vídeo, feito fora da celebração, o bispo reitera o apoio diante de um padre arauto, acrescentando: “Dou aos irmãos do Evangelho, proclamadores do Evangelho, o seguinte recado: “eu admiro, não somente suporto, a pureza de vocês. Entendeu o recado? Entendeu o recado?”, enfatizou o bispo.
Frase do cardeal expõe razões do comissariado
A frase escandalosa de Braz de Aviz, à qual Dom Falcão fez clara referência, só ficou conhecida do público através do livro Comissariado dos Arautos do Evangelho, publicado pela instituição em sua defesa após o longo processo de comissariado que tem asfixiado o grupo há oito anos.
De acordo com os Arautos, o comissariado foi instituído já sem nenhuma razão, mesmo após total ausência de delitos ou violações da parte da Visita Apostólica, primeira fase da intervenção. O dossiê dos Arautos confirmou que havia um relacionamento paralelo e simpático entre prelados como Dom Braz de Aviz e Dom Jaime Spengler, com grupos de desafetos e ex-membros da instituição que nutriam verdadeiro ódio aos modos de vida de moral rigorosa dentro dos Arautos do Evangelho.
A divulgação da frase de Braz de Aviz impôs um marco divisório entre católicos: os que odeiam a pureza e os que a amam e cultivam. O escândalo não deixa de ser um reflexo da crise que assola a Igreja, sobre a qual uma posição do Papa Leão XIV é cada vez mais esperada.
Mesmo vendo indícios de irregularidades canônicas e abusos da parte do Prefeito do Dicastério, por obediência à Igreja os Arautos prestaram-se a receber, colaborar e até custear a intervenção (o que contrariou os procedimentos usuais de comissariados anteriores). Sem respostas sobre violações e delitos apontados pelos acusadores, o Dicastério presidido por Braz de Aviz empurrou o comissariado, negando-se ao longo dos anos a receber a instituição, assim como tem feito a atual Prefeita, Irmã Simona Brambilla, já conhecida de fiéis conservadores por sua cruzada para a supressão de ordens religiosas e mosteiros de clausura de caráter mais tradicional da Igreja.




