O Papa Leão XIV tem dado claros sinais de estar iniciando seu próprio pontificado e encerrando de vez o pontificado de Francisco, como sinalizou a coluna Specola do site InfoVaticana nesta sexta-feira, fim da Primeira Semana do Advento.
Após a rejeição do diaconato feminino por parte da Santa Sé, o o clero sinodal da Alemanha reagiu com irritação diante da frustração de sua expectativa. Embora representem um grupo minoritário, o chamado “sínodo alemão”, que já foi classificado de cismático pelo Papa Francisco, é barulhento por representar um incêndio de expectativas mundanas e revolucionárias de destruição da doutrina católica. Essa expectativa ascende o fogo midiático dos que estão fora da Igreja e creem numa utopia feminista e igualitária.
O documento da Comissão que estuda o caso apontou que este anseio não é um pedido da Igreja, tampouco das mulheres na Igreja. Nem mesmo pertence ao ideal oficial do chamado caminho “sinodal” que o Papa Leão deseja.
O documento é certeiro ao identificar o grupo como alheio à voz da Igreja.
Apenas vinte e dois indivíduos ou grupos submeteram seus trabalhos, representando poucos países. Consequentemente, embora o material seja abundante e, em alguns casos, habilmente argumentado, não pode ser considerado a voz do Sínodo, muito menos do Povo de Deus como um todo.
A verdade é que, como explica o texto do Specola, o pequeno grupo alemão que há algum tempo se autoproclamou “representante das mulheres” e do “espírito sinodal” não ficou nada contente com a divulgação da decisão da Comissão do Vaticano, muito embora o Papa Francisco já houvesse sinalizado o “não” à sonhada ordenação de mulheres.
A óbvia e esperada resposta negativa, porém, foi recebida mau e interpretada como “uma mensagem de estagnação”, pela recém-reeleita presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK) , Irme Stetter-Karp. “O futuro não pode começar com essa estagnação”, disse ela. Stetter-Karp acrescentou que considera “desastroso” ainda não ter dado uma resposta positiva às mulheres do mundo todo em relação ao seu desejo de ordenação diaconal:
“Pensando em nossas filhas e netas, eu me pergunto: de onde virão as mulheres que se comprometerão com a Igreja Católica no futuro? Se continuarmos a transmitir às mulheres a mensagem de que são cidadãs de segunda classe?”, escreveu a “irmã”, esquecendo-se das centenas de santas da Igreja e da inspiração que dão às mulheres católicas desde sempre. Mas é claro que tais santas, como Santa Tereza Dávila, não poderão atender a expectativa igualitária e revolucionária de destruição da doutrina católica para atender anseios ideológicos.
Segundo o presidente da ZdK , ecoando num questionamento o mesmo tom revoltoso contra a hierarquia da Igreja, “por que as mulheres não podem ser testemunhas confiáveis nesse ministério é algo que me escapa. E escapa a muitas pessoas, incluindo muitos teólogos”, diz ele. O que lhe escapa, porém, é a forma da dignidade dada pelo próprio Deus a uma mulher: a Virgem Maria. Mas imitá-la pode estar tão longe do horizonte do Caminho Sinodal Alemão quanto está da própria antiga serpente, cuja doutrina eles representam tão bem quanto seu compatriota Lutero.
Como bem notou o Specola, essa maneira de falar, posicionando-se como representante das “mulheres”, revela, em última análise, o desejo de Irme Stetter-Karp de ser Papa ou “papisa”.
Já Thomas Söding , vice-presidente da ZdK , falou de uma “oportunidade perdida”. No entanto, expressou otimismo de que o debate continuará e acrescentou: “Esperemos que, enquanto isso, ainda mais mulheres não se conformem com isso”.
A organização proto-cismática “We Are Church” declarou que, embora acolha a publicação da Igreja, “o anunciado “não ao diaconato para mulheres”, estaria sujeito a críticas sob uma perspectiva teológica, antropológica e pastoral”.
O grupo prega abertamente o igualitarismo, que nos últimos séculos esteve ligado à ideologia liberal, ao marxismo, mas que na história da Igreja sempre foi facilmente identificado com heresias gnósticas, das quais o protestantismo é um dos produtos.
Dizem eles:
“Se a Igreja Católica mundial quer ser uma Igreja diaconal — como declararam o Papa Francisco e, recentemente, o Papa Leão X em sua exortação ‘Dilexi te’ — então a participação igualitária e corresponsável das mulheres é urgentemente necessária”.





