Os Arautos do Evangelho, que lançaram recentemente o bombástico dossiê comprovando diversas irregularidades cometidas pelo Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades Apostólicas, justificam a iniciativa da publicação devido ao conhecimento de que falsas informações estariam chegando aos ouvidos do Papa Leão XIV desde sua eleição.
Conforme a instituição informou recentemente em um artigo, isso ficou evidente quando os Arautos puderam encontrar-se com o Sumo Pontífice em uma audiência junto a Dom Sérgio Aparecido Colombo, bispo de Bragança Paulista. Na ocasião, relatam eles,
“tivemos a inquietante surpresa de constatar que o Dicastério (…), na pessoa de sua Prefeita [Ir. Simona Brambilla] e colaboradores, transmitira falsas informações ao Santo Padre, a respeito dos Arautos do Evangelho e de seu Fundador”. [grifos nossos]
Quais seriam essas falsas informações?
Uma delas, diz o artigo, seria a de que haveria “vítimas de abusos” e que nem todos os processos jurídicos haviam sido encerrados. Além disso, o Papa também havia sido informado de que os Arautos teriam desobedecido determinações acerca da hospedagem e formação dos menores de idade nas casas da Associação. Todas essas informações são falsas, como a instituição procurou comprovar no denso volume de mais de 700 páginas. No entanto, a inverdade disso já é conhecida do Comissário, Dom Damasceno, a quem caberia responder a essas questões.
Algumas dessas informações poderiam ter sido conferidas até mesmo em buscas na Internet. Isso levanta dúvidas a respeito das fontes de informação que parecem ter audiência privilegiada com o Dicastério, já que o órgão da Santa Sé não recebe mais os Arautos nem suas mensagens há alguns anos, conforme afirmam.
A extinção dos processos está fartamente comprovada na imprensa, inclusive com um artigo do dr. Ives Gandra Martins, explicando o caso em detalhes e fazendo a devida fundamentação. A alegação sobre “vitimas de abusos”, trata-se do uso dos termos dos caluniadores, cujas acusações foram extintas por falta de provas justamente nos casos dos processos judiciais acima citados. Quanto à suposta desobediência na questão das hospedagem, basta que se procure, na sedes dos Arautos, meninos menores vivendo naquelas dependências: a determinação foi totalmente cumprida no Brasil, muito embora isso fira juridicamente o direito de centenas de famílias.
Surge a pergunta: qual a pena para quem mente ao Santo Padre? Quem proferiu falsidades ao Sumo Pontífice com o claro intuito de prejudicar uma instituição que foi, ao longo dos últimos oito anos, inocentada e vitimada por abusos jurídicos e canônicos? Ainda mais: qual a fonte dessas informações falsas comunicadas ao Papa? Estaria a Prefeita do Dicastério em contato direto e permanente com a “quadrilha” de difamadores, dentre os quais muitos processados e obrigados juridicamente a calar-se por terem feito acusações sem provas? Estaria a Prefeita, Ir. Simona Brambilla, servindo de voz a criminosos?
Segundo o Direito Canônico, esse tipo de atitude pode estar prevista no Cân. 1389 §1: “Quem abusa do poder eclesiástico ou do ofício, causando prejuízo a outrem, deve ser punido com pena justa”. Ou ainda, considerando um dano grave de induzir o Papa a erro sobre um processo, investigação, julgamento doutrinal ou administrativo, há o Cân. 1389 §2. Se o abuso for cometido por dolo (deliberadamente), e causar grave dano, deve ser punido com privação ofício ou outras penas justas.
Ou seja, mentir deliberadamente ao Sumo Pontífice, com deliberada intenção de manipular decisões é abuso de ofício doloso, punível inclusive com perda do cargo. Recentemente, há dispositivos bem mais claros, promulgados pelo próprio Papa Leão, a respeito do delito de abuso de autoridade, o que o livro publicado traz uma série de ponderações e aplicações.
Estamos diante de um aspecto bastante aterrador e perigoso da tão falada crise na Igreja. Novidades sobre o caso dos Arautos do Evangelho podem surgir a qualquer momento e o tema deve ser de interesse de todos os católicos, uma vez que afeta diretamente o destino possível de diversas outras instituições às quais permanecem ou comissariadas ou em avaliações semelhantes pela Santa Sé.
O perigo Brambilla
A irmã Simona Brambilla, nomeada pelo Papa para o Dicastério, era a secretária de Dom Braz, o ex-Prefeito. No entanto, vários documentos e informações mostram que ela pode ter sido colocada apenas para efetivar alguns objetivos de parte do clero, especialmente a pior parte. Há alguns meses, católicos vem demonstrando espanto com o que a irmã tem feito contra as ordens monásticas, como atesta o vídeo de cinco meses atrás.




