A frase é chocante e deve escandalizar qualquer católico que tenha o mínimo conhecimento sobre o que significa a pureza, virtude tão amada e praticada por santos e santas ao longo de toda a história da Igreja. No entanto, a frase “eu não suporto a pureza deles” foi dita pelo cardeal brasileiro Dom Brás de Aviz enquanto era bispo de Ponta Grossa. Ele se referia à instituição Arautos do Evangelho, que recentemente lançaram o livro “O Comissariado dos Arautos do Evangelho. Sancionado sem provas, sem defesa, sem diálogo. Crônica dos acontecimentos 2017–2025″. O livro traz esta e outras histórias envolvendo o cardeal e o verdadeiro esquema construído para macular a imagem e destruir a instituição que mais cresce na Igreja.
O lançamento do livro está sendo recebido com estrondo no meio católico em geral, tendo gerado diversas manifestações e reações de espanto diante de tão graves revelações. Mantidos sob um duro comissariado, espécie de intervenção canônica promovida pelo Vaticano, os Arautos se mantiveram em silêncio desde o início, restringindo-se a colaborar com as investigações. Oito anos depois, inocentados de todas as acusações civis e sem qualquer indício de culpa ou irregularidade na parte canônica e pastoral, os membros decidiram literalmente jogar no ventilador os problemas que observaram e reuniram ao longo destes anos.
Os prejuízos à Igreja não são poucos. Mais de 30 diáconos aguardam para serem ordenados. Quantos fiéis estão sem padres enquanto isso?
Entre as causas profundas da perseguição religiosa promovida contra eles está a antipatia aparentemente inexplicável do cardeal Brás de Aviz, que à época era o prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Religiosa do Vaticano, cargo que ocupava desde 2011. A história contada no livro é de arrepiar.
Ainda quando era bispo de Ponta Grossa, Dom João Brás de Aviz tinha um amigo em comum com os Arautos do Evangelho. Era um advogado católico que emprestava sua fazendo para eventos da instituição. Certo dia, em uma conversa privada e descontraída entre os dois, ao saber que o amigo emprestava sua fazenda aos Arautos, Dom Brás subiu o tom e demonstrou indignação súbita, recomendando que rompesse amizade com os Arautos imediatamente. O advogado, estranhando a mudança repentina, questionou o então bispo das razões por tanta antipatia aos Arautos do Evangelho. Foi então que o futuro prefeito que cuidaria da vida consagrada da Igreja disse a famosa frase:
“O problema é que eu não suporto a pureza deles”
A frase é reveladora sobre o estado que estava a diocese de Ponta Grosa na época, quando escândalos sexuais e morais de todo tipo apareciam na imprensa, inclusive envolvendo o clero local. O então chefe da diocese nada fazia.
Anos antes disso, em um evento na cidade de Ponta Grossa em que os Arautos foram convidados a ajudar na organização, o então bispo ficou incomodado por causa do hábito dos Arautos que, segundo ele, apareciam demais.
Não é preciso dizer que enquanto o cardeal esteve à frente da Arquidiocese de Brasília, os Arautos do Evangelho não conseguiram jamais abrir uma sede lá. Espalhados por quase todo o país, a instituição que tem origem no Brasil acabou sendo perseguida cada vez mais à medida que o cardeal ia subindo na sua carreira eclesiástica. Quando foi chamado para Roma para chefiar a então Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, atual Dicastério para a Vida Consagrada, o cardeal se aproximava de cumprir a ameaça que havia feito contra os Arautos ainda em Ponta Grossa.
Mas pelo que se percebe pela biografia do cardeal resumida na frase de impacto que desferiu contra os Arautos, o seu ódio é contra eles só perde para o ódio que tem da santa pureza defendida e praticada radicalmente pela instituição.




