Tem se noticiado, nos últimos dias, o avanço de uma frota militar americana em direção à Venezuela. De um lado, o presidente Donald Trump diz tratar-se de combate ao narcotráfico internacional. De outro, o ditador Maduro denuncia uma tentativa de invasão para removê-lo do poder.
Mas um questionamento se faz importante, tanto para quem apenas analisa quanto, principalmente, para a direita latino-americana: e se, no final das contas, não houver alteração do regime totalitário na Venezuela? E se tudo isso não passar apenas de bravata e discurso inflamado? E se Trump ameaçar, provocar e blefar?
Até o momento, a situação já proporcionou que Maduro ampliasse a perseguição contra a oposição interna. Há duas semanas, acusou líderes da direita de planejarem um atentado armado em Caracas. Além disso, reforçou milícias e deslocou forças de segurança pelo país todo. É bem plausível que, muito em breve, surjam novas leis para aumentar o controle do governo sobre a população. Ou seja, a justificativa da invasão está servindo para Maduro aumentar ainda mais a sua força.
O principal parceiro militar da Venezuela é, historicamente, a Rússia.
Certamente isso já era esperado, mesmo que Trump sequer autorize o lançamento de mísseis contra alvos venezuelanos. Maduro irá acusar, perseguir e, o quanto mais puder, punir discordantes do regime. Porém, não concretizar qualquer ataque efetivo contra Maduro vai repercutir na América Latina inteira, sinalizando ao Foro de São Paulo que chegou a hora de fechar o cerco nos países onde isso for possível.
É nesse ponto que o Brasil se envolve, pois a esquerda nacional, já motivada pelo tarifaço anterior movido pelos Estados Unidos, somará também a necessidade de “soberania” ou “independência” bélica. A possibilidade de cortes nas relações militares entre as forças americanas e brasileiras pode surgir. Diplomaticamente, sendo Lula reconhecido apoiador de Maduro, o Brasil sofrerá mais sanções e afastamento do ocidente.
As demais autoridades brasileiras, políticas e de outros movimentos, diante da inoperância dos organismos políticos ocidentais, serão levadas a atender os decretos governamentais e determinações judiciais. Esse panorama forçará, por exemplo, o empresariado nacional a negociar apenas com países alinhados à esquerda, ao BRICS e outras ditaduras – coisa que, aliás, se faz sem qualquer pressão internacional.
Essa conjuntura justificará, além disso, o uso de sistemas financeiros alternativos, desvinculados dos meios americanos – como, por exemplo, o sistema chinês.
E se a China já ajuda comercialmente o Brasil, ajudará ainda mais militarmente. Não apenas com mais acordos e compartilhamento de tecnologia, mas possibilitará compra de armamentos e treinamentos conjuntos, como já ocorre entre Rússia e Venezuela. A China será, em todos os sentidos, a principal parceira do Brasil e da América Latina.
O preço da polarização
Além das questões políticas mais diretas, quem ganhará mesmo com isso são as ideologias de esquerda e de terceira posição. A ideia do mundo multipolar, ou seja, o próprio eurasianismo russo, passará para um grau de maior influência, principalmente pelo contexto favorável ao anti-americanismo e, fundamentalmente, ao anti-ocidentalismo.
Há décadas a esquerda domina as narrativas e impõe suas pretensões sobre o Brasil. E, se possuem os meios de fazer isso, certamente o farão. Os grupos russófilos, nacionalistas e esquerdistas encontrarão espaço aberto para promoverem a separação do Brasil de tudo que lembre o ocidente.
Bolsonaro e seus apoiadores, apontados como motivadores do tarifaço americano, já são acusados de causar prejuízo à economia brasileira. Narrativa que tem influenciado para novas ações por parte do governo e do judiciário. Assim, da mesma forma, logo a direita será vista como traidora da pátria, apoiadora do intervencionismo americano e promotora de ameaças militares contra a nação.
O caminho para isso está se abrindo e é por isso que a aposta na polarização favorece os esquerdistas. Agora, os discursos anti-imperialistas, anti-capitalistas, anti-americanos e, em breve, anti-ocidentais e anti-colonialistas, estarão todos unidos em uma só causa. Se as acusações de “trama golpista contra a democracia” já colocaram centenas na prisão, imagine o que julgamentos de traição à pátria podem permitir. Basta Trump cometer mais um blefe.
O fim que nos resta
Diante desse cenário, ainda resta uma ligação entre o Brasil e aquilo que está fora do muro ideológico revolucionário: a Igreja Católica – na qual a morte nunca é derrota e o martírio é semente de novos católicos.







