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O vespeiro de ódios incontidos cutucado pelo padre José Eduardo

15/07/2025
em Regina Milites
Tempo de Leitura: 3 mins de leitura
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Em uma aula de quase quatro horas de duração, sobre o fenômeno do neotradicionalismo no Brasil, o padre classificou o problema como um “tradigalicanismo carioca”, clara referência à atuação do Centro Dom Bosco, sediado no Rio de Janeiro. O termo usado pelo padre é uma referência ao galicanismo, um movimento francês que reivindicava a independência da Igreja Católica do país em relação a Roma. Em oposição a esse movimento, insurgiam-se os chamados ultramontanos, defensores da unidade da Igreja.

A aula do padre José Eduardo foi uma resposta às polêmicas iniciadas pelo Centro Dom Bosco no último mês, quando o grupo iniciou uma campanha contra o Catecismo da Igreja Católica promulgado pelo Papa São João Paulo II, contrapondo-o aos catecismos Romano e Maior, de São Pio X. Imediatamente após o alarido causado nas redes sociais, o CDB anunciou o lançamento de um filme autoreferente que celebrava a atuação do próprio grupo como “heróica”.

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A aproximação do CDB com a Fraternidade São Pio X começou a ficar evidente e formal a partir dos últimos anos, uma posição que levou o grupo a direcionar seu conteúdo formativo a ataques contra o clero e a hierarquia da Igreja. Diante de algumas respostas do padre José Eduardo nas redes sociais, o grupo respondeu com cinismo e falta de respeito ao sacerdote, que decidiu transmitir a extensa aula com o histórico e argumentos contra o sedevacantismo moderno que vem crescendo pela influência de movimentos como o CDB.

O padre relaciona o lefebvrismo praticado pelo CDB com um tipo de “liberalismo canônico” e um “amissionismo” (sem missa), que ele vincula a uma prática perigosa de liberdade religiosa, tese liberal e moderna, muito embora os neotradicionalistas sejam conhecidos por suas declarações antiliberais. O padre recordou que Dom Lefebvre assinou e aprovou todos os documentos conciliares, mas depois rebelou-se contra a hierarquia.

Na aula, o padre associa o movimento do sedevacantismo moderno ao mesmo fenômeno do subjetivismo protestante, que nega a autoridade hierárquica tradicional em nome de um exame individual, racionalista, pondo no centro o arbítrio privativo a certos movimentos vistos por si mesmos como vozes autênticas em matéria de infalibilidade.

Além disso, o padre alerta que o sedevacantismo não é propriamente o maior problema, já que muitos movimentos que praticam a descrença na validade do Romano Pontífice, chegam ao ponto de uma prática de “eclesiovacantismo”, isto é, a crença de que a própria Igreja Católica já não existe. Com isso, o padre rebate alguns argumentos comuns que circulam entre os grupos neotradicionalistas, em sua maioria sustentados pela própria Fraternidade São Pio X.

Um desses argumentos é o de que a Missa Nova e suas rúbricas aprovadas pelo Papa São Paulo VI põem em risco a fé dos fiéis. O padre José Eduardo recorda que, em geral, este argumento é usado tendo como base abusos litúrgicos e que as rúbricas do novo missal jamais poderiam fazer um fiel perder a fé.

Mais ainda, sustentou o padre:

“As pessoas não apenas não perdem a fé, mas elas perdem a alma se elas pararem de frequentarem os sacramentos, se elas não irem à missa de domingo”, disse o padre na aula disponível no Youtube.

Uma das teses frequentemente usadas contra o novo missal, por exemplo, é contra o autor da maioria dos textos litúrgicos conciliares, o Monsenhor Bugnini, tido como maçom e, portanto, associado a inimigos da Igreja. O padre José Eduardo contou a história dessa tese e quando ela apareceu e reapareceu, mostrando ser ela um tanto fraca em termos de credibilidade. Ainda assim, sendo verdadeira, não seria suficiente para invalidar o missal, uma vez tendo sido promulgada pelo Papa Paulo VI, reconhecido como Pontífice válido até pela FSSPX. Além do mais, diz o padre, a Semana Santa atualmente celebrada pela própria Fraternidade é de autoria do mesmo Bugnini, o que segundo o critério sedevacantista, deveria também ser invalidada em nome de uma anterior.

O padre faz afirmações fortes que servem como alerta aos fieis sobre o Lefebvrismo, movimento de seguidores do bispo excomungado Dom Marcel Lefebvre:

“O lefebrismo está ensinando as almas a desobedecer o terceiro mandamento da Lei de Deus, ao pecado mortal e, portanto, levando-as à condenação eterna, a que elas não recebam a vida da Graça pelos sacramentos”, explica o padre. Ele ainda acrescenta que a convivência com os ambientes sedevacantistas leva as pessoas a aceitarem os erros e o subjetivismo da Fraternidade frente à autoridade da Igreja, levando, aí sim, à perda da fé. Com exemplo disso, ele cita um padre ordenado pela FSSPX (Francis Palmquist) que, após alguns anos no grupo, apostatou, virou tatuador, assumiu-se homossexual e hoje é um influencer desconstrutivista, tendo até mesmo fundado um projeto intitulado “Eu sou Judas Iscariotes”.

Outro argumento ressaltado pelo padre foi a imutabilidade do missal de Pio V pelo Concílio. Segundo este critério, disse o padre, também não se deveria utilizar o Breviário de Pio X, modificado radicalmente em relação ao de Pio V que também havia sido afirmado como imutável. Mas nem mesmo o de Pio V é praticado pela Fraternidade. Ocorre que, como afirma expressamente o Concílio de Trento, nenhum Papa pode estabelecer um rito para sempre. A compreensão tradicional manda, na verdade, que quando um Papa escreve “estabelece-se em perpétuo”, isso significa “até que se disponha o contrário” por outro Pontífice evidentemente. A própria infalibilidade papal dá ao Pontífice a liberdade de determinar o que é melhor para o bem da Igreja. Será que os sedevacantistas passarão a questionar também o dogma da Infalibilidade, unindo-se aos apóstatas veterocatólicos que se rebelaram contra o Primeiro Concílio Ecumênico, ainda no século XIX? Tudo é possível ao subjetivismo e igualitarismo moderno.

Comentário sobre os sedevacantistas

Um dos mais influentes nomes por trás do trabalho do Centro Dom Bosco e que abrange outras iniciativas crescentes na direita brasileira, é o conhecido professor Orlando Fedeli. Contumaz difamador de todos os movimentos católicos, Fedeli ganhou a alcunha de “Lutero do Brasil”, um alerta do saudoso Dom Henrique Soares, que escreveu certa vez sobre o site da Associação Monfort, criado por Fedeli para difamar diversos movimentos católicos:

“É o caminho que leva à heresia e ao cisma. É bom evitá-lo! Queira Deus que os jovens não se deixem levar por essas idéias obsessivas…”.

Os frutos de Fedeli são o Centro Dom Bosco, que em uma entrevista ao também discípulo do Lutero do Brasil, Marcelo Andrade, assumiu a influência determinante de Fedeli no trabalho feito por eles.

Sobre a influência perniciosa de Orlando Fedeli, um site foi criado reunindo seus erros.

Autor

  • Cristian Derosa
    Cristian Derosa

    Jornalista e escritor, autor do livro O Sol Negro da Rússia: as raízes ocultistas do eurasianismo, além de outros 5 títulos sobre jornalismo e opinião pública. Editor e fundador do site do Instituto Estudos Nacionais

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