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Vaticano condena uso de células fetais para vacinas e responsabiliza indústria farmacêutica e governos

04/01/2021 - Atualizado em 27/12/2023
em Artigos
Tempo de Leitura: 4 mins de leitura
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A Nota da Congregação para a Doutrina da Fé, aprovada pelo Papa, responsabiliza os governos e a indústria farmacêutica por oferecerem vacinas eticamente questionáveis, além de enfatizar que vacinas não podem ser obrigatórias. O Vaticano se refere às vacinas para Covid-19 produzidas a partir de linhas celulares extraídas de fetos abortados, o que condena como uma agressão à dignidade humana e alerta para o risco da colaboração objetiva com o mal, o que recai mais gravemente sobre a indústria farmacêutica e governos.

Para as situações onde não há alternativa, porém, a Nota repete a orientação da Instrução Dignitatis Personae, que não responsabiliza o indivíduo pelo uso da vacina. Enfatiza, porém, que essa postura da Igreja não implica em aprovação do método utilizado e enfatiza que os cristãos devem exigir de seus governos para que forneçam opções éticas que “não criem problemas de consciência”.

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Diz a Nota:

…o uso lícito de tais vacinas não requer e não deve de modo algum implicar a aprovação moral da utilização de linhas celulares de fetos abortados. Portanto, pede-se tanto às empresas farmacêuticas como às agências de saúde governamentais que produzam, aprovem, distribuam e ofereçam vacinas eticamente aceitáveis, que não criem problemas de consciência  para os profissionais da saúde nem para quantos se devem vacinar.

A Nota, publicada em 21 de dezembro de 2020, recorre a instruções anteriores, como a Dignitas Personae, que condena o uso de células fetais para a produção de vacinas, bem como autoriza a objeção de consciência dos fiéis que não desejem colaborar com a indústria de células fetais.

A Igreja recomenda ainda que os cristãos que optem pela objeção de consciência possam manter outras formas de evitar o contágio, já que a vacinação não configura uma “obrigação moral”, cabendo à consciência de cada um e devendo, portanto, ser voluntária. Neste aspecto, o documento apenas recomenda que se pense no bem comum e na própria saúde como critério de escolha.

Como a Instrução Dignitas personae afirma, nos casos de utilização de células de fetos abortados destinadas a criar linhas celulares para a utilização na investigação científica, «existem responsabilidades diferenciadas»[1] de cooperação para o mal. Por exemplo, «nas empresas que utilizam linhas celulares de origem ilícita, não é igual a responsabilidade dos que decidem a orientação da produção e a dos que não têm nenhum poder de decisão», diz a nota.

Mas a Instrução mencionada fala especificamente dessas “responsabilidades diferenciadas”, entendendo o limite a que se referem.

A tal propósito, não basta o critério da independência formulado por algumas comissões éticas, ou seja, afirmar que seria eticamente lícita a utilização de «material biológico» de proveniência ilícita, sempre que exista uma clara separação entre os que produzem, congelam e fazem morrer os embriões e os que investigam a evolução da experimentação científica. O critério de independência não basta para evitar uma contradição na atitude de quem afirma não aprovar a injustiça cometida por outros e, ao mesmo tempo, aceita para o seu trabalho «material biológico» que outros obtêm mediante semelhante injustiça. (grifos nossos).

O dever de evitar a cooperação com o mal e o escândalo, diz respeito, na realidade, à sua actividade profissional ordinária, que devem equacionar rectamente e mediante a qual devem testemunhar o valor da vida, opondo-se também às leis gravemente injustas. Portanto, o dever de recusar o referido «material biológico» – mesmo na ausência de uma certa relação próxima dos investigadores com as acções dos técnicos da procriação artificial ou com a dos que praticaram o aborto, e na ausência de um prévio acordo com os centros de procriação artificial – resulta do dever de, no exercício da própria actividade de investigação, se distanciar de um quadro legislativo gravemente injusto e de afirmar com clareza o valor da vida humana. Por isso, o critério da independência acima referido é necessário, mas pode ser eticamente insuficiente.

A Instrução que foi usada como base para a Nota do Vaticano, é clara ao exemplificar algo muito semelhante à situação atual.

Assim, por exemplo, o perigo para a saúde das crianças pode autorizar os pais a utilizar uma vacina, em cuja preparação foram usadas linhas celulares de origem ilícita, permanecendo firme o dever da parte de todos de manifestar o próprio desacordo em matéria e pedir que os sistemas sanitários disponibilizem outros tipos de vacina. 

No entanto, a Igreja permite a objeção de consciência justamente como uma defesa contra a tirania, seja ela jurídica, policial ou com alegados fins sanitários e científicos, como é o caso atualmente. Nesse aspecto, o documento da Congregação permanece prudente ao manter a orientação, lembrando apenas que, à população que se vê fragilizada pelo sensacionalismo dos meios de comunicação.

Revisando a Nota, o que importa aos cristãos é o chamado à exigência de que governos e a indústria ofereçam alternativas éticas de modo a evitar o drama de consciência que põe na balança a saúde, a vida humana, com a colaboração com o mal objetivo do aborto e da sua indústria da morte.

Indústria das linhas celulares

Segundo a ONG Children of God for Life, organização líder mundial pró-vida na campanha de vacinas éticas, medicamentos e produtos para o consumidor, a vacina ChAdOx1 e a AZD 1222, da Universidade de Oxford, usam em sua produção uma linha de células renais fetais humanas chamada HEK-293.

O portal Life Site News também informou recentemente que alguns pioneiros da Vacina covid-19, dentre eles a da Universidade de Oxford, usavam uma linha de células renais fetais humanas chamada HEK-293 para desenvolver suas vacinas experimentais.

O HEK-293 foi originalmente derivado de tecido renal retirado de uma menina que foi abortada na Holanda em 1972 e posteriormente desenvolvida em uma linhagem celular em um laboratório em 1973.

Conforme explicação do Life Site News, as linhas celulares são frequentemente usadas na produção de vacinas para cultivar proteínas virais que fazem a dose funcionar. As vacinas produzem imunidade treinando as células imunológicas para combater infecções, expondo-as a vírus enfraquecidos ou mortos ou a uma proteína isolada do vírus (ou a uma aparência sintética).

Oferecer às células imunes a chance de combater vírus enfraquecidos ou fragmentos virais prepara o corpo para identificar e neutralizar o vírus, se encontrado no futuro. Vírus enfraquecidos, vírus inativados e proteínas virais usadas em uma vacina para produzir imunidade são chamados antígenos. Antígenos são qualquer proteína ou molécula que desencadeia uma resposta imune no organismo, fazendo com que as células imunes produzam anticorpos.

Já os anticorpos são proteínas produzidas pelas células imunológicas para se ligar e marcar vírus e bactérias nocivos, ajudando o sistema imunológico a identificar e destruir patógenos. Tradicionalmente, as vacinas são fabricadas pelo crescimento de antígenos em células ou tecidos de animais, plantas ou fungos, como ovos de galinha embrionados, leveduras ou células renais de macaco.

Após o crescimento dos antígenos nessas células, os antígenos são colhidos, purificados e adicionados a uma solução que é posteriormente injetada ou ingerida como vacina. Às vezes, no entanto, os fabricantes de vacinas usam células fetais humanas em vez de células animais para cultivar os antígenos de suas vacinas.

Várias vacinas COVID-19 em desenvolvimento, como as desenvolvidas pela Universidade de Oxford, CanSino Biologics e Johnson & Johnson, estão utilizando uma tecnologia conhecida como vacinas “vetor viral não replicante”. O governo brasileiro autorizou, recentemente, o uso da vacina de Oxford para a prevenção do Covid-19.

Em 2015, a Planned Parenthood foi flagrada contrabandeando tecidos fetais para empresas farmacêuticas, em um escândalo que foi amplamente noticiado. O dr. Stanley Plotkin, responsável por pesquisas dessas células usadas pela indústria, revelou em uma audiência judicial sob juramento, que foram mais de 76 abortos feitos para pesquisas científicas onde o aborto é legalizado, ou seja, não foram abortos espontâneos. Não há motivos para acreditar, portanto, que as linhas celulares fetais utilizadas nas vacinas foram casos isolados ou reutilizados a partir de abortos espontâneos etc. A consciência dos cristãos pró-vida está sendo constantemente posta sob o desafio de sua consciência e valor que dá à vida humana em todas as suas fases. O uso de células fetais, seja da forma como for, é nada mais que uma profanação de cadáver, um atentado à vida e à sua dignidade.

 

Autor

  • Cristian Derosa
    Cristian Derosa

    Jornalista e escritor, autor do livro O Sol Negro da Rússia: as raízes ocultistas do eurasianismo, além de outros 5 títulos sobre jornalismo e opinião pública. Editor e fundador do site do Instituto Estudos Nacionais

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