
"O termo multipolaridade insinua uma novidade, mas ganha o apreço de conservadores ocidentais porque passadas as décadas de subversão cultural e linguística, não vemos nenhum problema no igualitarismo relativista e aprendemos, como bons aprendizes dos revolucionários, a desejar mais a liberdade do que a verdade, a igualdade do que o bem. O universalismo que os globalistas roubaram do cristianismo se tornou o inimigo máximo da mentalidade conservadora antissistêmica, de maneira que a direita mundial pensa estar reagindo contra o globalismo enquanto, por baixo, reage à universalidade da verdade moral e espiritual. No século XXI, a propaganda da multipolaridade pode se exprimir em termos igualitários e caóticos da revolução, o que precisou disfarçar no século anterior com retóricas anticoloniais, anti-imperialistas ou em defesa dos multissistemas, multiversos mentais enriquecidos pelo apetite ocidental por ficção, fantasia e complexidades do pensamento e as ideologias pré-fabricadas à moda do subjetivismo revolucionário de maio de 68. O novo panorama ideológico transforma o caos em hierarquia demoníaca. Muitos jovens perdidos no horizonte do caos moral e espiritual, preferem ajoelhar-se diante de qualquer trono, desde que haja alguém para obedecer, admirar e se submeter. A nova revolução é igualitária na medida em que desfigura a única autoridade legítima, a da Igreja Católica, mas é hierárquica na medida em que inverte essa ordem para dar mais um decisivo passo, assim como nos estágios anteriores da revolução, na direção do reino do Anticristo". (Cristian Derosa)