
Este livro estabelece uma relação profunda com uma realidade que temos investigado insistentemente: o advento de um neofascismo cultural, tema do livro anterior, tem se beneficiado do retorno de um tipo de romantismo e um resgate imprudente de velhos erros espiritualistas, contrários à doutrina da Igreja, mesmo quando se dizem profundamente católicos. O livro pode ser interpretado como uma investigação de elementos anteriores ou formadores do livro sobre neofascismo, que representa o estágio final, mais associado ao entretenimento e à moda política atual. Juntos, eles montam um panorama assustador (ainda que bastante incompleto dada a complexidade do assunto) sobre o universo tenebroso que atua no imaginário das gerações mais jovens — e também dos nem tão jovens. O avanço do duguinismo, islamismo, não ocorre sem um background cultural profundo, pautado na construção de um indiferentismo e relativismo moral, religioso, que se utiliza do gosto por mitos, símbolos e tradições. Todos eles fazem parte do grande alvoroço de vícios promovido há séculos pelo fenômeno revolucionário, que chegou a um ponto insustentável. Cabe aos católicos estarem atentos a esse fenômeno para não serem tragados pela maré negra do caos ou participarem dele como idiotas úteis.
O livro A Cruz ou o Labirinto não é um guia do que fazer ou de como proceder, como muitos desejam. É um guia dos perigos e das ameaças, algo muito mais necessário. Há quem diga que não proponho uma saída para os problemas, pois digo apenas que toda solução está na Igreja Católica. É verdade que isso é bastante vago. Mas é preciso que seja assim, pois o grande problema por trás de tantos erros tem sido justamente essa ansiedade por soluções humanas, por conhecimentos que elevam o espírito ou a personalidade — numa versão politicamente adequada à direita da "cidadania" esquerdista. Muitos querem soluções, métodos. Mas o que importa muitas vezes é saber, antes, o que rejeitar, mais do que o que abraçar. O livro fornece um manual dos riscos, uma explicação histórica sobre o que realmente tem causado os erros que estão por toda a parte para onde olhamos. Esse livro, portanto, não é para o grosso do público que milita em redes sociais por bandeiras que não conhece e nem quer saber.