Relação entre a descriminalização do aborto e doenças sexualmente transmissíveis

A relação entre a descriminalização do aborto e doenças sexualmente transmissíveis foi verificada em pelo menos dois estudos, um publicado em 2003¹ e outro em 2012², pela Universidade da Pensilvânia.

O estudo de Klick, Neelsen e Stratmann (2012) comparou as alterações legais relacionadas ao aborto em 41 países, relacionando-as com os registros de casos de gonorreia por um período de 20 anos (entre 1980 a 2000), abrangendo os principais continentes (América do Norte, Europa e Ásia Central).

O estudo verificou que, na grande maioria dos países, diante de alterações legais que ampliaram o acesso ao aborto, ocorreu também um aumento na incidência de diagnósticos de DST (Doença Sexualmente Transmissível) – Hoje também identificado com termo IST – Infecções Sexualmente Transmissíveis.

O estudo indicaria que a legalização do aborto vem sendo acompanhada de um aumento da atividade sexual e/ou que a proteção contra DSTs passa a ser mais negligenciada pela população.

O estudo analisou a incidência de gonorreia porque é uma das DSTs que possuem registro padronizado e confiável na maioria dos países.

É possível supor que outras doenças venéreas também tenham tido uma maior incidência, já que a incidência de ISTs gerais no mundo vem aumentado nas últimas décadas, o que coincide com aumento de abortos legais pelos processos de legalização em muitos países após década de 1970.

A gonorreia, se não for tratada, pode levar a complicações em gestações, infertilidade, cegueira nos recém-nascidos de mães infectadas, artrite, endocardite e meningite (OMS, 2001, citado em Klick e Neelsen, 2012). Portanto, apenas o mapeamento desta doença já mostra a gravidade da consequência desta banalização.

Os dados da pesquisa foram obtidos de bases de dados oficiais, da Organização Mundial da Saúde para países da Europa, e dos departamentos federais de saúde para os Estados Unidos e Canadá.

1] Klick J., Stratmann T. The effect of abortion legalization on sexual behavior: evidence from sexually transmitted diseases. J Legal Stud. 2003 Jun;32(2):407-33.

2] Klick J., Neelsen S., Stratmann T. The Relationship between Abortion Liberalization and Sexual Behavior:International Evidence. American Law and Economics Review, Volume 14, Issue 2, Fall 2012, Pages 457–487.

Autor

  • Marlon Derosa

    Administrador, editor de selos editoriais, master em Bioética pela Jérôme Lejeune, doutorando em bioética Apra/Itália, autor dos livros Números abortados: A manipulação das estatísticas de aborto no Brasil e no mundo; "Abortos forçados", "Abortos ocultos" e organizador/coautor do livro "Precisamos falar sobre aborto: mitos e verdades".

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