Faculdade católica da Paulus oferece curso de “identidade de gênero”

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A Fapcom (Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação) oferece um curso chamado “Ideologia de gênero x identidade de gênero: eis a questão”, ministrado pelo professor Martinho Condini. Na descrição do curso, o ministrante diz acreditar na “importância de se educar as crianças e jovens para que não se tornem adultos que não saibam respeitar as diferenças”.

A Faculdade Paulus, que oferece o curso de extensão, é mantida pela Pia Sociedade São Paulo, instituição religiosa criada em 1884, por Tiago Alberione, que tem o objetivo de evangelizar utilizando os meios de comunicação.

Diz a descrição:

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Estamos na primeira metade do século XXI e por incrível que pareça no Brasil ainda vivemos numa sociedade predominantemente conservadora, patriarcal, machista e intolerante. Esses quatro aspectos juntos constituem um entrave para que os chamados grupos minoritários em nossa sociedade não sejam respeitados e não tenham seus direitos de cidadãos reconhecidos. Quando faço essa afirmação me refiro aos grupos LGBTTI (Lésbicas,gays,bissexuais,transsexuais,transgêneros e intersexuais). É inaceitável que esses grupos ainda hoje sofram violência física, são assassinados e não possuam direitos civis garantidos pela nossa constituição, como os demais cidadãos brasileiros em função de suas escolhas ao que se refere a questão de gênero. Por isso, acredito que seja pertinente o debate sobre a discriminação que ocorre sobre esses grupos e a importância de se educar as crianças e jovens para que não se tornem adultos que não saibam respeitar as diferenças.

Militantes da Ideologia de Gênero costumam utilizar a retórica da discriminação para promover a desconstrução da família e da identidade humana, uma ideologia que já foi condenada por médicos e psicólogos como extremamente danosa às crianças. O alvo preferencial da Ideologia de Gênero tem sido as crianças e a educação básica, com a qual pretendem formar novos militantes. Desde 2015, porém, seus militantes e agentes globais de difusão perceberam que havia uma dificuldade em adentrar nos meios católicos. O curso oferecido pela Fapcom é uma tentativa clara de remediar essa situação.

Já falamos aqui do avanço da chamada Teologia Feminista, que cresce dentro de ambientes ligados à Igreja por meio da teóloga Ivone Gebara. Ao que tudo indica, veremos um crescimento ainda maior nos próximos anos, já que as instituições ligadas à Igreja Católica não selecionam seus funcionários ou os departamentos encarregados de trabalhos sociais conforme os valores cristãos, mas a partir de julgamentos pouco aprofundados, o que inevitavelmente auxilia na infiltração de movimentos alheios ao cristianismo e mesmo à sociedade.

Martinho Condini, o professor encarregado do curso, escreveu livros sobre Paulo Freire e Dom Helder Câmara, dois ícones da esquerda católica, a mesma esquerda eclesiástica que originou partidos como o PT, por meio das Comunidades Eclesiais de Base, ao longo do período militar.

Condenada pela Igreja

A ideologia de gênero tem sido condenada por toda a Igreja Católica, tanto em Roma, com declarações contundentes do próprio Papa Francisco, como no Brasil, pela CNBB. Em 2015, quando se tentou implementar a agenda de gênero em todas as escolas do país, a Igreja no Brasil foi clara no seu apoio à indignação popular contra essa ideologia disseminada principalmente por órgãos internacionais que financiam iniciativas no Brasil. O Papa tem se referido à Ideologia de Gênero e à Cultura da Morte como tópicos de uma “colonização ideológica”.

Em 2016, o Papa alertou sobre uma “guerra global” contra o casamento tradicional e a família, dizendo que ambos estão sob ataque pela teoria de gênero e o divórcio.

“Hoje em dia, há uma guerra global para destruir o casamento”, disse Francisco. “Não com armas, mas com ideias… temos que nos defender da colonização ideológica.”

O papa usou a frase “colonização ideológica” no passado para denunciar o que ele afirma ser tentativas de países ricos de associar auxílio de desenvolvimento à aceitação de políticas sociais como a permissão de casamentos homossexuais e contraceptivos.