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A secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, em depoimento na CPI da Pandemia, nesta terça-feira (25), recordou em resposta à senadora Eliziane Gama (Cidadania-AM), sobre o conflito de interesse de revistas médicas, referindo-se em especial ao escândalo envolvendo a revista Lancet, em 2020, em uma fraude para contraindicar a hidroxicloroquina. A revista pediu desculpas publicamente, mas o seu “estudo” há havia sido utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e por governadores brasileiros para justificar o banimento da medicação.

Após críticas de pesquisadores australianos ao artigo do Lancet sobre os dados do país, que originalmente usou dados de 96 mil pacientes em 671 hospitais de seis continentes, três de seus autores afirmaram que solicitaram uma auditoria independente do trabalho da empresa Surgisphere Corporation e de seu fundador e coautor da publicação, Sapan Desai. Os dados coletados pela empresa em seu sistema foram base para o artigo.

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O jornal britânico The Guardian investigou a empresa Surgisphere, e a situação só piorou. Trata-se de uma companhia obscura, com apenas seis funcionários, dos quais somente um tem expertise na área médica, além de não ter histórico de geração de dados médicos.

Assim como a Lancet, outros estudos suspeitos chegaram a ser publicados e utilizados por médicos e autoridades. As suspeitas de fraude foram confirmadas quando observado que a pesquisa foi feita com pacientes hospitalizados, estágio da doença em que a hidroxicloroquina tem pouca eficácia. Em Manaus, um estudo levou à morte de 11 pacientes após serem submetidos a doses toxicas de cloroquina, com claro objetivo de desacreditar a medicação.

A guerra contra o remédio tem explicação. Em 2020, um relatório vazado por cientistas denunciava que a gigante farmacêutica francesa Gilead Sciences, produtora do Remdesivir, pagava mais para médicos que desacreditassem a hidroxicloroquina, cujo concorrente era o medicamento da farmacêutica.

Outro caso de conflito de interesse foi o estudo da Merk, empresa criadora da ivermectina. A empresa publicou um artigo em que desacreditava o próprio medicamento quando aplicado para tratamento de Covid-19, um texto amplamente divulgado na imprensa. Em seguida, porém, a Vitamedic, distribuidora do medicamento no Brasil, esclareceu que a Merk estava desenvolvendo um medicamento semelhante após o fracasso de sua vacina, um empreendimento que lhe custou prejuízos.