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Em junho de 2018, quando as parcerias entre Facebook e fact-checkers mirava todas as suas forças nas eleições e contra o crescente bolsonarismo e conservadorismo (seu suposto irmão mais velho), o site de esquerda Deutche Welle publicou uma reportagem dizendo que os brasileiros estavam se mostrando um dos povos mais resistentes às checagens de fatos. “Rejeição a checagem de fatos no Brasil surpreende Facebook”, dizia a manchete da época. O que estava evidente ali era que a malícia do brasileiro, acostumado a todo tipo de golpismo e estelionatos criativos, não estava sendo enganado pela milícia checadora, embora o tom da matéria tentasse verbalizar isso acusando os brasileiros de atacar jornalistas e expor seus nomes nas redes sociais. Um jornalismo desonesto que não gostou de ter sua militância ideológica exposta daquela maneira. Com isso em mente, a parceria com o Facebook reforçou sua atuação contra a presença de ideias, opiniões e informações dissidentes na internet.

Isso já nos indicava a importância do Brasil no cenário geopolítico e como a politização progressiva dos brasileiros (no melhor sentido) estava preocupando a elite financeira mundial que havia visto Donald Trump e o Brexit alcançarem grande popularidade. Na Pandemia, a luta contra as chamadas “fake news” pela restauração dos filtros midiáticos no debate político impulsionou uma expansão da agenda de controle sobre a sociedade.

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Do bolsonarismo ao fisiologismo?

Mas após o mesmo bolsonarismo ter passado uma temporada em Brasília, o “vírus” da política fisiológica começou a motivar uma certa conciliação entre o conservadorismo de base intelectual que o criou e um certo nível de prioridades do centrão e da esquerda midiática. Até certo ponto, o bolsonarismo buscou uma agressividade contra o globalismo e a esquerda, mas procurando conciliá-la com a defesa oficialista das propostas e imagem governamentais contra a desconstrução midiática diária. Preocupados com a incapacidade do presidente de governar, sites e perfis de defesa do presidente passaram a uma postura profundamente defensiva, mantendo-se reativos à pauta da grande mídia e, portanto, sendo determinados por ela. Ao mesmo tempo, sofria a perseguição judicial promovida pelos inimigos institucionalizados e a censura das big techs contra pautas chamadas de “negacionistas da pandemia”. Seguir o governo tem um preço. Principalmente quando não é clara a distinção entre política e jornalismo.

Em março de 2021, um ano após o início de uma pandemia midiática que contou com a resistência do bolsonarismo, um levantamento feito pela agência Aos Fatos deu a seguinte manchete: “Bolsonaristas amenizam tom negativo sobre vacinas no Twitter, mas aumentam críticas a isolamento. A pesquisa de conteúdo analisou os perfis de Twitter mais atuantes do bolsonarismo e concluiu que a mudança teve origem na mudança estratégica do governo, que passou a usar o progresso da vacinação como propaganda. A mudança foi seguida por deputados governistas e, consequentemente, influenciou na atenção de parcela da mídia alternativa ligada ao bolsonarismo, aprofundando a inversão de papeis entre mídia e classe política: em democracias, é a mídia que influencia a classe política e não o contrário.

Como lembra Olavo de Carvalho, não há política sem ideologia. Isso quer dizer que, por mais verdadeiro e integrado em reivindicações justas e corretas, uma corrente política precisa de programas claros e compreensíveis por uma grande massa. Além disso, os princípios da ideologia não podem ser facilmente reduzidos a “programas de governo”, mas estes é que devem integrar-se dentro da lógica daqueles princípios. Assim como, dizia também Olavo, o Brasil não tem história, apenas geografia, o bolsonarismo não tem ideologia, apenas política. Durante os governos do PT, a ortodoxia esquerdista era garantida por um contrapeso necessário no jogo político. Alas mais radicais como o PCdoB e PSTU brigavam com o PT acusando-o de estar “entregando o país à burguesia”, enquanto Lula e, depois, Dilma, buscavam conciliar o apoio dos radicais com o liberalismo globalista. Dessa conciliação nasceu o petismo que é filho do Foro de São Paulo, mas também do Pacto Interamericano dos Clinton.

No bolsonarismo só há espaço para aplausos e elogios, gritos de “mito”, suas versões jornalísticas e memes criativos. Todo o trabalho de base e de contextualização, que poderia criar um público com uma consciência mais grave da conjuntura geopolítica, é logo acusado de divisionismo, rejeitando críticos e criando com isso verdadeiros “bolsões” de dissidentes devido às reações recebidas. Em um efeito de estilo surrealista da política, ao priorizarem “obras do governo” e atraírem a ira da esquerda e de checadores, os apoiadores do bolsonarismo acabam jogando, de uma só vez, todos os apoiadores que pressionam o governo por mais conservadorismo em uma região de extremismo na direção da criminalização: na CPI da Covid, o ex-secretário da comunicação foi chamado por ter feito a comunicação do governo, assim como ex-chanceler foi chamado por ter feito as Relações Exteriores para o execrável governo Bolsonaro, sabidamente um genocida. Em níveis pressupostos, o discurso vai se impondo por meio de silenciosas táticas de criminalização e terminará deixando como uma “direita permitida” apenas aqueles que, como Trotsky, discordava um pouco da forma como o socialismo deveria se impor. Este é o efeito da conciliação como política sem que haja forças verdadeiramente antagônicas.

É claro que a amenização das críticas à imposição de vacinações experimentais pelo bolsonarismo, como observado pela pesquisa do Aos Fatos (feita justamente para demonstrar a vitória da censura), não significa necessariamente a concordância com a invasão das máfias farmacêuticas no país, mas exatamente por isso indica indubitavelmente uma vitória da implementação da censura em vários níveis, criando uma espiral do silêncio voluntário em torno de um assunto. Por motivos óbvios, essa vitória não será noticiada pelos alvos da censura e nisto reside o poder persuasivo das espirais de silêncio.

Bolsonaro contenta-se com sua resistência declaratória. Em alguns momentos, atacou e queixou-se da hegemonia das vacinas como solução, muito embora seu governo aproveite toda oportunidade para enaltecer o número e o ritmo dos vacinados, o que é seguido pelos apoiadores que têm apenas duas fontes de prioridades temáticas: governo e grande mídia. Com isso, mantém-se como únicos medos dos defensivos bolsonaristas o de perder o posto no governo e o de ser associado pela mídia a algum rótulo como “antivacina”, radical ou “negacionista”. Muitos optam por agradar aos dois lados, defendendo o tratamento precoce e as vacinas simultaneamente, o que apenas denota o interesse publicitário, já que logicamente as vacinas só são legítimas quando não existe tratamento para uma doença. Se há tratamento, as vacinas são ilegais e precisam ser suspensas imediatamente. Nada menos do que isso se esperaria de alguma parcela do conservadorismo brasileiro que eventualmente exista.

Enquanto isso, no mundo real que permanece existindo fora do Brasil, as vacinações experimentais começam a ser denunciadas como aquilo que de fato são. Uma carta aberta de médicos da Nova Zelândia foi enviada à Suprema Corte do país, pedindo a suspensão imediata da vacinação da Pfizer, exigindo que todos os testes sejam feitos antes da sua aprovação no país. Lá eles não pedem pouco para, quem sabe, obter alguma coisa. Em todos os países, crescem movimentos de Médicos pela Vida, Médicos pela Verdade ou Advogados pela Verdade, que organizam marchas e protestos de rua contra as restrições e as vacinações em massa, que em vários países está sendo praticamente forçada.

Duas outras denúncias já foram protocoladas no Tribunal Internacional de Haia classificando as vacinações experimentais induzidas em todo o mundo como um crime contra a humanidade, considerando a pressão psicológica em populações mais vulneráveis e a pouca informação fornecida pela empresa sobre seus produtos. A Cruz Vermelha do Japão publicou uma carta anunciando que não aceitará doadores de sangue que tenham recebido certas vacinas contra Covid-19. Embora outras vacinas também contem com tempos de espera antes da doação, as vacinas para Covid são as únicas que impedem a doação de sangue por tempo indeterminado. Essa restrição a vacinados foi informada para quem se vacinou? Será que outras virão? Perguntas que o Brasil talvez não ouça, mas cujas respostas os afetará diretamente.

A vacina da Astra Zeneca foi proibida em 16 países, foi adquirida para ser testada no país de Bolsonaro e suas reações, que incluem a morte de uma gestante, acabaram levando à suspensão de todas as vacinas para grávidas. Mas os vendedores de vacinas e seus apóstolos não irão suspender antes de alguns mortos pelo caminho.

Enquanto os países alvo aceitam a vacinação como gado, o CDC norte-americano propõe uma mudança no tipo de teste apenas para os vacinados. Enquanto o mundo observa intrigado o aumento de casos de Covid entre vacinados, o que deveria acender o alerta para a pouca ou inexistente eficácia dos “imunizantes”, o CDC quer tentar dificultar que os vacinados sejam diagnosticados com Covid, recomendando a redução da sensibilidade dos testes PCR, sabidamente inespecíficos e, segundo alguns, criadores de uma falsa pandemia.

De vitória em vitória, portanto, a censura vai ganhando espaço por todos os lados. Temas como vacinas não são os únicos proibidos entre sites que ora se identificavam como independentes. Processos judiciais envolvendo agências de checagem ou milícias como Sleeping Giants, também motivam censuras, já que advogados costumam recomendar o silêncio sobre a outra parte. Sobra falar da CPI, do Renan Calheiros ou de Omar Aziz, gritando que “acabou a narrativa de que o governo vacina pouco”.