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Enquanto o Brasil estava distraído com a CPI da Pandemia, a sessão plenária online do Senado Federal transcorria de forma paralela e estava pronta para votar e aprovar o “passaporte de imunização”, medida que na prática tornará a vacinação compulsória em todo o território nacional. Graças a uma articulação de última hora, a votação foi adiada com a justificativa de que o tema precisa ser debatido. Enquete do site do Senado mostrava oposição dos poucos que souberam da votação.

A proposta poderá criar um apartheit sanitário no país e atende a objetivos internacionais de estabelecimento de políticas de controle e monitoramento individual que começaram a ser implementados durante a pandemia.

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O Senado adiou a votação do PL 1.674/2021, , do senador Carlos Portinho (PL-RJ), que cria o Passaporte Nacional de Imunização e Segurança Sanitária. Os senadores decidiram realizar antes da votação do projeto uma sessão de debates com representantes dos ministérios da Saúde, do Turismo e das Relações Exteriores; além da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A vacinação no país vem sendo cobrada especialmente pela classe política, após pressão dos meios de comunicação, refletida em falas de celebridades e influenciadores ligados a grandes grupos da indústria. A aprovação emergencial para venda de vacinas em todos os países, tem como condição a não existência de tratamentos para a doença, o que vem sendo trabalhado intensamente por entidades médicas ligadas à indústria e repercutido pela classe política.

A tática da votação era aproveitar a distração com a CPI para votar, sem debate, um tema polêmico, que conta com a oposição de parcela considerável da população brasileira e do mundo. A revista The Economist divulgou recentemente uma pesquisa feita com 300.000 pessoas em 117 países, mostrando que apenas 68% dos adultos concordariam em ser vacinados se uma vacina grátis estivesse disponível para eles; outros 29% disseram que recusariam.

De acordo com a pesquisa, apenas 59% dos norte-americanos estão dispostos a receber uma vacina. Na Europa, 53% dos entrevistados dizem que aceitariam uma vacina, embora os europeus ocidentais sejam geralmente mais interessados ​​do que os orientais. Na África e na América Latina, 64% e 68% disseram que concordariam em ser vacinados. Na Ásia, até 76% consideram que uma vacina é uma aposta segura para doenças.

Os ex-estados soviéticos estão entre os que menos confiam numa vacina como solução para a doença. No Brasil, cerca de 30% não aceitariam uma vacinação gratuita para Covid-19, de acordo com a pesquisa do instituto Gallup.

Mesmo assim, o Senado iria votar nesta quarta-feira (19), a aprovação do passaporte de imunização, que impediria milhões de pessoas de circularem em determinados lugares, criando no país uma exigência e um apartheit sanitário sem precedentes enquanto o Brasil assistia à CPI da Covid.