Anúncio:

A condução dos questionamentos das entrevistas pelo relator da CPI, Renan Calheiros, tem indicado a expectativa de certas respostas, que invariavelmente acabam frustradas, como no caso do depoimento de hoje com o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Em alguns momentos, Renan repete a pergunta após uma frase afirmativa, que traz como pressuposta uma informação que não foi dada e tampouco parece ser verdadeira conforme a explanação do depoente.

Anúncio:

Por exemplo, quando Renan perguntou se o ministro da saúde havia recebido alguma ordem direta do presidente Jair Bolsonaro para interromper a compra da Coronavac, o ex-ministro respondeu claramente que nunca havia recebido tal ordem, enfatizando que nada mudou no seu Ministério naquele período. Renan se referia a uma postagem nas redes sociais e, mesmo após a resposta de Pazuello, insistiu em perguntar quando essa ordem teria sido dada. Pazuello, novamente, respondeu que não houve ordem, ao que o relator, então, prosseguiu com o inquérito perguntando quem mais estava presente no momento em que Pazuello recebera a ordem direta do presidente da República.

Desconsiderando a hipótese de que Renan Calheiros estivesse surdo naquele momento, esse comportamento só pode indicar uma coisa: as perguntas foram feitas de modo a prever uma certa resposta e a insistência só pode ter o intuito de induzir a arrancar do depoente tal resposta.