Anúncio:

Jean Carneiro Duarte, vendedor ambulante, foi surpreendido por viatura da Guarda Municipal frente ao Centro Cívico de Curitiba, os guardas saltaram do carro e apreenderam todos os produtos, enquanto Jean tentava impedi-los e transeuntes filmavam o desespero do trabalhador que tentava defender seu meio de sustento.

O caso ocorreu na semana passada, Jean é conhecido na região e vende produto hortifrúti, embora tenha tentado resistir, a Guarda Municipal confiscou seus produtos, eles foram encaminhamos para a Secretaria Municipal de Urbanismo. Informaram a Jean que ele teria que ir até a Secretaria para recuperar seus bens. Ao chegar lá, tarde demais, as frutas haviam sido doadas para caridade.

Anúncio:

Da calçada, pessoas filmavam a ação e pediam aos guardas que o deixassem ir embora, mas não adiantou. “Eu tinha caqui, goiaba, ponkan, pinhão, mel, me tiraram tudo”, disse ele que, como todo empresário, necessita da venda de produtos para ter fluxo de caixa para novas compras e receita para despesas da casa.

“Sorte que eu saí correndo pra também não levarem meu carrinho embora. Se não, até isso tinham levado. É humilhante, desumano estar ali trabalhando e ser tratado daquele jeito, tratado como lixo. Parece que roubei alguma coisa”, lamentou o rapaz que há mais de seis anos trabalha como vendedor na região.

Questionada a respeito, a prefeitura de Curitiba informou através de nota:

“Sobre o ambulante que vendia frutas no centro Cívico, a secretaria Municipal do Urbanismo informou que naquele ponto não é autorizado este tipo de comércio. Esta ação de fiscalização foi feita após denúncias na Central 156. Antes da apreensão, o mesmo foi orientado mais de três vezes que não poderia permanecer naquele local. Para alvará de comércio ambulante, os interessados devem procurar a Secretaria Municipal do urbanismo, que junto com outros órgãos como Setran, Ippuc e Vigilância Sanitária, para avaliar a permissão ou não para o funcionamento.”

Embora o caso não tenha qualquer relação com os desmandos policiais contra trabalhadores durante a pandemia, a apreensão dos produtos de Jean demonstra a insensibilidade dos poderes públicos quando o assunto é garantir que uma pessoa possa garantir sustento próprio e de seus familiares. Um advogado da região já se prontificou em auxiliar Jean nos processos burocráticos.