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O Estadão chamou especialistas para defender o lobby das vacinas contra o alerta do virologista belga Geert Vanden Bossche, de que a vacinação em massa poderia causar novas variantes e prejudicar a imunidade natural da população. Contudo, nenhum especialista consultado pelo jornal negou os graves riscos do alerta que vem sendo compartilhado nas redes sociais. Os médicos se limitaram a afirmar que “os benefícios da vacinação superam em muito os riscos” mencionados pelo virologista.

A matéria diz no título: “Vídeo viral repercute discurso distorcido de virologista belga para atacar vacinação de covid” e defende vacinação sem negar riscos.

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Além do alerta do virologista belga, sobre novas variantes, as vacinas contam com suspeita cada vez maior após notícias de óbitos associados à vacinação e notificações feitas à Anvisa, que já somam 125 óbitos. Médicos afirmam, no entanto, que o número pode ser muito maior pois há muita subnotificação no país por conta da dificuldade de uso do sistema Vigimed. Mesmo assim, sem negar os riscos da vacinação, especialistas consultados por Estadão defenderam vacinas apostando em benefícios duvidosos, a partir de dados preliminares e que necessitam mais estudos.

O texto publicado no Estadão classifica como exagerados e até perigosos os alertas do virologista, mas confirma os riscos mencionados por Vanden Bossche. O virologista criticado pelos especialistas está longe de ser um opositor das vacinações. Ele trabalhou em laboratórios ligados à Fundação Bill e Melinda Gates e foi consultor de diversos desenvolvedores. O Estadão consultou especialistas pouco conhecidos para reunir argumentos parciais em defesa do lobby das vacinas.

“Flávio Fonseca, virologista do CT de Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a argumentação de Bossche ‘é das mais perigosas possíveis, porque ela tem pontos corretos, mas apresenta deturpações’. Ele explica que uma vacinação limitada a pequenas parcelas da população, como tem acontecido no Brasil, poderia exercer pressão para o surgimento de mutações do coronavírus, uma vez que o vírus ainda encontra organismos para infectar e se multiplicar”, diz o texto da matéria.

Mas citando dados em defesa das empresas produtoras de vacinas, inclusive fornecidos por empresas associadas a elas, o especialista se apenas afirma que “isso não esvazia os impactos positivos da imunização”.

Em clara defesa do lobby das vacinas, que vem se impondo a países até mesmo por meio de chantagens e ameaças, como ficou evidente no caso da Pfizer e da Coronavac, o Estadão apenas ressalta benefícios maiores que os riscos, alegando que países que ampliaram vacinações têm apresentado menores números de contágio e óbitos. Na mesma frase, porém, o jornal acrescenta que esses mesmos países também implementaram medidas restritivas radicais contra a circulação, opção vista pelos mesmos jornais como as mais efetivas ao lado das vacinas.

Outro especialistas consultado diz que a imunização pode ser eficiente em reduzir a circulação do vírus e, assim, diminuir as chances da incidência de novas variantes. Contudo, as recomendações do Ministério da Saúde, das secretarias e dos próprios fabricantes das vacinas, ecoadas por jornais, é de que vacinados mantenham todos os cuidados para evitar contágio.

Outros argumentos citam dados preliminares para refutar a opinião de um dos mais experientes virologistas do mundo.

“Há evidências que apontam que imunizantes contra a covid-19 podem sim reduzir a transmissão do coronavírus. É o caso de um estudo com a vacina da Pfizer conduzido em Israel que apontou que o produto é até 89% eficaz na prevenção de infecções do SARS-CoV-2. Os dados ainda são preliminares”.