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Diferente do que pensa a imensa maioria dos católicos que observam o preceito dominical, para a Arquidiocese de Florianópolis a ida aos sacramentos tem uma importância relativa quando se trata de obedecer as “autoridades competentes”. Em seu site, a Arquidiocese anunciou que irá obedecer ao decreto do governador Carlos Moisés, que proibiu as missas neste e no outro domingo, por motivo sanitário devido à superlotação das UTIs no estado. A única exceção do decreto são os chamados “serviços essenciais”, categoria com a qual missas e cultos religiosos não foram contemplados.

Adequando-se às restrições que não contam com evidências científicas e ainda prejudicam os mais necessitados, a Arquidiocese optou por privar seus fieis do Santíssimo Sacramento, considerado desnecessário à autoridade pública. O pressuposto das autoridades é expresso pela secretária de saúde do Paraná, que chegou a declarar à imprensa que “rezar em casa tem o mesmo valor para Deus”. Para católicos, porém, a missa é a renovação do Sacrifício de Cristo e só pode ocorrer no templo. No catolicismo, os sacramentos são centrais e a missa dominical é a única obrigatória para o fiel, pois representa o sinal de obediência ao Primeiro Mandamento (Amar a Deus sobre todas as coisas).

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A Arquidiocese deixou isso de lado em nome da saúde física, mas também para não se indispor com um poder público que já vem censurando missas e perseguindo cristãos já nem tão veladamente, conforme o próprio arcebispo percebeu em recente interrupção de Missa de Crisma, em Botuverá (SC), no interior de Santa Catarina. Na ocasião, Dom Wilson criticou a medida, embora tenha aceitado interromper o Sacramento no meio.

Em tempos de pandemia, quando a possibilidade da morte iminente bate à porta, é natural que os cristãos repensem suas vidas e busquem o auxílio dos sacramentos. Do cristão mais apático ao mais devoto, a busca pela espiritualidade em momentos de dificuldade sempre foi uma tendência natural. Não é diferente nesta pandemia. Exceto para a Arquidiocese, com quem os mais vulneráveis (pecadores ou doentes) mais pensavam que podiam contar.

Em momentos como este, quando não faltam exemplos históricos de santos que se despiram de seus medos para ir ao encontro dos mais necessitados, padres e bispos encastelam-se no mito do “isolamento salvador”, invenção típica de abastados materialistas, que vêem como única salvação a fuga (sem abrir mão de que entregadores arrisquem suas vidas para alimentá-los).