Anúncio:

Decretos estaduais em todo o país estão impondo restrições à circulação e toques de recolher, medidas que pela Constituição só poderiam ser decretadas pelo presidente da República com a provação do Congresso Nacional. Eles restringem a circulação nos fins de semana, período considerado crítico nas aglomerações. No entanto, ainda não há consenso científico sobre a efetividade de tais medidas. O que se sabe, porém, é que as medidas irão impactar principalmente nos mais vulneráveis.

Em Santa Catarina, o governador Carlos Moisés impôs o decreto e alterou a vida da população durante os próximos dois finais de semana. A justificativa dos decretos é o aumento no número de internações por Covid-19, que está deixando lotados alguns hospitais públicos. O motivo do aumento, porém, segundo informações de fontes da Secretaria da Saúde, é a ampliação do tempo de internação, tendência observada em diversos locais do país. Ou seja, não há mais internados, mas internados por mais tempo. A causa disso não é o assunto deste texto, mas podemos imaginar quando vemos entidades médicas e jornais tratando medicamentos eficazes como perigosos e perigosas vacinas como soluções.

Anúncio:

Em um ato de covardia e omissão, até mesmo a Arquidiocese de Florianópolis disse que irá seguir as recomendações, aceitando a premissa de que as missas são um serviço não essencial para a vida das pessoas. Com isso, impacta principalmente na vida daqueles que mais precisam. Mas há quem pense estar mais preocupado com as vidas.

A ideia é reduzir aglomerações nos finais de semana, como se estas fossem apenas uma futilidade dispensável na vida das pessoas, pouco essencial se comparada ao trabalho durante a semana. À primeira vista, isso até parece fazer sentido se não fosse pelo fato de que um bar, restaurante, sorveteria ou até mesmo uma danceteria, pagam suas contas com base no que ganham nos finais de semana. Em alguns casos, quase exclusivamente. Esses estabelecimentos têm funcionários, que correm o risco de perder seus empregos. Mas essas pessoas podem morrer ser empurradas para a miséria desde que outras se sintam seguras com um governo que pensa nelas.

A única concessão está nos chamados “serviços essenciais”, cuja necessidade dispensa eventuais cuidados com vida e a saúde do prestador deste serviço. Ao mesmo tempo, o termo revela a crueldade de quem separa o trabalho dos cidadãos pelo grau de necessidade a certas camadas da sociedade. O critério para julgar se um serviço é essencial é o quanto ele impacta na vida daqueles que podem ficar em casa. Ou seja, a regra é pensar mais naquele que menos precisa e sacrificar o lado mais fraco. Esta é a lógica perversa que vigora na pandemia desde o início, quando se negou o chamado isolamento vertical, apenas dos vulneráveis, pelo horizontal, generalizado.

Quem pode ficar em casa sem trabalhar para não arriscar a própria vida, certamente concede que alguém venha lhe trazer comida e arrisque morrer fazendo isso. Afinal, para os mais atemorizados, sair às ruas é sinônimo de morrer. Desde que não seja eu… Mas tudo é dito e pensado sem qualquer culpa ou escrúpulo. Estamos vendo a sociedade adoecer, mas não é de Covid. Estamos vendo o enlouquecimento progressivo que já alcança estágio avançado.

Estamos vendo pessoas sozinhas dirigindo com máscaras! Pessoas fazendo exercícios com máscaras! Se elas consentiram nisso apenas a partir do medo, o que mais serão capazes de fazer?

Um ano após o início da pandemia, mesmo com mais de 78 milhões de reais enviados pelo governo Federal aos estados e com novos estudos que apontam a eficácia de medicamentos para o tratamento, a solução parece não ter mudado. Encerrar a população em casa foi a primeira opção, uma decisão que talvez se justificasse pelo total desconhecimento da doença.

Quem pagará o preço mais caro serão os mais fracos, como sempre.