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Milton Spada

Na Política de Aristóteles havia virtudes entre os homens e as disputas políticas respeitavam essas virtudes. Hoje a principal luta é para a manutenção do poder, muito mais do que para a obtenção de uma justiça plena. E para manter-se no poder, certos grupos utilizam sem pudor todas as ferramentas e maneiras de conquistar apoio popular. Obviamente, o uso da religião e da fé alheias estão incluídas.

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Tome-se, por exemplo, a Campanha da Fraternidade ecumênica deste ano da CNBB, que mais parece o panfleto de um partido radical de esquerda. O texto base, escrito pela pastora luterana Romi Bencke (conhecida defensora da descriminalização do aborto), é recheado de vocabulário marxista e promove questões de racismo, feminicídio, cultura LGBT, educação de gênero para criancinhas; lembra da psolista Marielle Franco, mas não cita ‘Maria a mãe de Deus’ em nenhum momento, além de deixar de lado a fé católica, exceto na hora de pedir doações. Tudo concorre para uma verdadeira armadilha de subversão dos valores cristãos, onde a moral católica tradicional é simplesmente esquecida.

Com a nomenclatura “ecumênica”, a CNBB talvez acredite ser possível escapar do teor de apostasia inserido na campanha, mas o conteúdo revolucionário que se está pregando não escapa incólume. Claro que a intenção revolucionária da confederação de bispos não é exatamente declarada, pública por assim dizer, mas dissimulada, com apropriações de linguagem e confusões semânticas justamente para que católicos desatentos caiam no embuste.

Aparentemente, fraternidade e diálogo são sempre compromissos de amor, mas da forma como é oferecida pela CNBB parece mais o chamamento para uma guerra sem fim entre “opressores e oprimidos”, conflito específico que estaria na base de todos os nossos problemas.

Assim, ao embutir a agenda radical na base da CF, a CNBB disfarça a inculturação e conta com a omissão da Santa Sé.

O desrespeito à verdadeira doutrina da Igreja, podemos lembrar, vem ocorrendo há muitos anos. Em 2019, quando o padre João Carlos Almeida, o Joãozinho, fez o sinal da cruz com “O Pai, o Filho e a brisa santa” (ao invés do Espírito Santo), feriu até mesmo o Direito Canônico, ao desconsiderar a Santíssima Trindade. Alguém de Roma o repreendeu? Não que se tenha notícia.

Ou quando aconteceram “missas” performáticas em preparativo ao Sínodo da Amazônia no ano passado, e, no lugar da hóstia consagrada, foram usados pãezinhos normais de padaria, como se fosse possível dar uma pedalada na Consubstanciação, e sem quaisquer cuidados com a preservação da Santíssima Eucaristia, houve algum grito de protesto por parte do grande número de católicos que temos em nosso país?

A verdade é que quase ninguém deu bola.

E por que toda essa apatia em relação aos absurdos que a cada dia comprometem mais a fé e enfraquecem a Igreja Católica?
A resposta, por mais dolorosa que possa ser, é que os católicos estão sendo traídos pela própria falta de conhecimento básico da doutrina da Igreja que dizem seguir.

Querendo ser virtuosos, mas sem virtudes no seu dia-a-dia, os católicos de hoje são presas fáceis de programações neuro-linguísticas, de formas surreais de verdade, e da manipulação da opinião pública. Isto acontecendo, não existe de fato opinião pública senão em um consenso forjado sobre este ou aquele tema. Isto talvez explique porque tantos consideram aceitável que se traduza o assassinato de bebês no ventre das mães como “direitos reprodutivos das mulheres” – frase frequentemente repetida pela tal pastora luterana e ativista do feminismo, Romi Bencke, mentora da Campanha da Fraternidade.

E esta trapaça ao renomear um crime está sendo corroborada de forma lastimável não só pelos Bispos da CNBB, mas por grande parte dos que se dizem católicos e nada fazem.

A verdade nua e crua é que não há ecumenismo na Campanha da Fraternidade deste ano. Há apenas a imposição de uma única forma enviesada de liturgia. Ao não orientar os pecadores para a sua conversão, levando-os a crer que podem persistir no erro, pois o que precisa mudar são as estruturas sociais, a CF condena-os à culpa eterna. Ao não lembrar sequer do próprio Cristo, promovem o secularismo e tentam apenas transformar a Igreja em instrumento de luta de classes, sem transcendência alguma.

Onde há secularismo não há Cristo, não há religião, não há salvação. Há apenas a ilusão de soluções materialistas.
Está na hora de os católicos pelo menos começarem a desconfiar desse malabarismo que tenta impor um ecumenismo totalitário.