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De acordo com o relatório do Charlotte Lozier Institute, das principais vacinas para Covid-19 em uso no mundo, nenhuma delas possui métodos éticos no seu desenvolvimento. O Instituto publicou uma relação das farmacêuticas que utilizaram linhas celulares fetais, provenientes de abortos induzidos e adquiridas em países em que a prática é legalizada. Na lista, estão a Sinovac, Astra Zeneca, Pfizer e Sputnik, principais imunizantes negociados pelo mundo com o apoio da OMS. O uso de células fetais em qualquer estágio da produção das vacinas já é suficiente para que uma vacina não seja considerada ética, de acordo com o relatório.

O uso de tecidos e células fetais é proibido em muitos países por questões éticas, mas empresas farmacêuticas adquirem material biológico de países em que a prática tem amparo legal. A legislação brasileira não é clara a esse respeito, embora seja proibido o uso deste tipo de material pela Lei de Biossegurança, de 2005.

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A extração de células fetais precisa ser feita com o bebê ainda vivo e, dependendo da necessidade, já com certo desenvolvimento. As principais linhas celulares usadas em vacinas foram desenvolvidas a partir de um aborto feito na década de 70, a partir das células dos rins de uma menina com cerca de 20 semanas.

Duas entidades médicas já chamaram a atenção para os problemas éticos envolvendo a fabricação de vacinas e apelaram ao Governo brasileiro para que ofereça alternativas éticas à população.

Estamos falando das vacinas da fabricante chinesa Sinovac, da AstraZeneca, da Pfizer, a russa Sputnik V, a da Johnson & Jonhson, entre muitas outras. Todas elas foram consideradas antiéticas pela análise do instituto, que mede o quanto as empresas farmacêuticas se utilizaram de linhas celulares provenientes de abortos nas três fases: produção, desenvolvimento ou testes finais.

Segundo o biólogo Êndel Alves, formado pela Universidade de Pernambuco e mestre em Bioética pela Universidade Anahuac do México, o uso dessas linhas celulares em qualquer fase da produção já configura falha ética, já que isso indica colaboração evidente com a indústria internacional do aborto.

Em 2015, o uso de tecidos fetais chamou a atenção do mundo para a multinacional do aborto, a Planned Parendthood, que foi flagrada vendendo tecidos de bebês abortados para laboratórios médicos. Embora o aborto seja autorizado nos EUA, o uso comercial de partes humanas não é permitido.

Ao todo, lembra Alves, existem cerca de 220 vacinas desenvolvidas para Covid-19 no mundo atualmente. Aproximadamente 20 dessas iniciativas recorrem a essa matéria-prima antiética, mas são exatamente essas as preferidas, por envolverem grandes empresas farmacêuticas que têm acesso a contratos com governos através de parcerias com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Mas, no Brasil, médicos que denunciam a produção antiética de vacinas são perseguidos e censurados pelos jornais. Suspeita-se que essa censura tenha relação com o poderoso lobby da indústria farmacêutica. Recentemente, uma declaração da Associação de Médicos Católicos de São Paulo foi atacada pela colunista Mônica Bérgamo, que acusou abertamente a entidade de mentir. Uma matéria de Estudos Nacionais, em 2020, foi classificada como “fake news” por checadores, em matérias que acabavam confirmando a informação.

Na Folha, Mônica Bergamo escreveu: “Associação de Médicos Católicos diz que vacinas são desenvolvidas com células de “fetos abortados”, é desmentida e gera tensão na igreja”. Em entrevista à Gazeta do povo, porém, o presidente da associação revelou que não houve qualquer conflito com a Arquidiocese e que a nota da entidade apenas repetiu a instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano. O ataque aos médicos ocorre por meio de confronto com a opinião de especialistas que não vêem conflito ético algum no uso dessas células.

Outro documento, da Associação de Médicos Católicos de Pernambuco, ressalta que o conflito ético está inerente à utilização das vacinas feitas por métodos não éticos.

“Ao explorar a vida não nascida e violar a dignidade dos restos mortais fetais, a matriz de produção dessas vacinas carece da integridade moral, que deveria estar no cerne da excelência científica”, diz a nota da entidade. “Assim, não se pode justificar a condenação de um inocente (aborto provocado) como meio legítimo para produção de vacinas (com células derivadas desses abortos provocados)”.

O tema ético é tabu na grande mídia, levando “checadores de fatos” a censurarem publicações que fizeram a denúncia. Até mesmo entre ditos cristãos conservadores o tema é evitado, por representar um problema aos governos como o de Jair Bolsonaro, que até o momento não sinalizou a compra de alguma das vacinas produzidas de forma ética, deixando a população mais sensível a essas questões refém de um drama de consciência. 

“A compra de vacinas pelo Ministério da Saúde e certificação da Anvisa possuem critérios técnicos, baseados na eficiência ou qualidade técnica”, explica Êndel Alves.

O julgamento ético, portanto, não está entre as atribuições ordinárias dos órgãos federais e há pouca tradição de cuidado com essas questões. Em 2005, porém, com a Lei de Biossegurança, ficaram proibidas a manipulação e comercialização de material genético, referente especificamente às pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos. Mas a legislação não é clara sobre a compra deste material quando já foi manipulado por outros.

A Igreja Católica, porém, é clara quanto à imoralidade da colaboração com o mal e a exigência dos que são contra o aborto em manifestar publicamente o seu desacordo e exigir de governos que ofereçam vacinas éticas, papel desempenhado pelas entidades médicas. Essa recomendação ficou evidente até mesmo na polêmica manifestação da Congregação para a Doutrina da Fé, que embora tenha considerado “moralmente aceitável” o uso dessas vacinas, parece partir do pressuposto de que a indústria do aborto foi encerrada no passado. Além disso, desconsidera a existência de centenas de outras vacinas que não apresentariam conflito de consciência ao fiel cristão.

A nota do Vaticano parte de informações noticiadas pela mídia de que não haveria outro meio de atacar a pandemia, quando existem, na verdade, opções consagradas de tratamento precoce, já reconhecidas amplamente por estudos científicos. A opção carece, porém, do apoio de grandes jornais, que ecoam interesses da indústria farmacêutica produtora de vacinas.

As células extraídas de fetos abortados para a produção de vacinas, porém, ocorre há várias décadas, indo muito além das duas mais conhecidas e mais utilizadas, conforme a lista abaixo, fornecida pelo biólogo Êndel Alves.

1. (WI-1 à WI-26) – Células obtidas provenientes de pulmão, pele, músculo, coração, timo, tireoide e fígado, a partir de 19 fetos, de 3 meses, em 1961.

2. (WI-38) – Células pulmonares provenientes de uma menina de 3 meses, que foi abortada porque a família achava que tinha muitos filhos, em 1964 , .

3. (MRC-5) – Células pulmonares provenientes de um menino de 14 semanas, abortado por “razões psiquiátricas”, em 1966 .

4. (HEK-293) – Células renais provenientes uma menina abortada, de razões desconhecidas, com o objetivo de pesquisas básicas em 1972 .

5. (MRC-9) – Células pulmonares provenientes de uma menina de 15 semanas, abortada porque a mãe não está casada, em 1974 .

6. (IMR-90) – Células pulmonares de uma menina de 16 semanas, em 1975 .

7. (PER. C6) – Células retinais provenientes de um bebê com 18 semanas, abortado por razões sociais e pai desconhecido, desenvolvidas para técnica de terapia genética, em 1985.

8. (Walvax2) – Células pulmonares de uma menina abortada, de 3 semanas, em 2015 .