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Se você não acredita em tudo o que lê nos grandes jornais ou critica o sensacionalismo da mídia, cuidado. Você pode ser classificado como matador de jornalistas e perigosa ameaça à democracia. Esta é a ameaça que a Fenaj faz a todos os brasileiros que ousem não acreditem no conteúdo produzido pelos grandes grupos de comunicação, uma manifestação do elitismo midiático que merece ser registrada na história.

Pela primeira vez na história da democracia, o ato de não acreditar cegamente nos grandes veículos de comunicação, ou de fazer piadas com os exageros da mídia, foi classificado como “violência”. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), classificou o descrédito como “a violência mais frequente” a jornalistas, em um documento intitulado Violência Contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, publicado nesta terça (26). A culpa, segundo a entidade, é de Bolsonaro e dos leitores que se influenciam por suas declarações. A entidade chega a incluir dois jornalistas assassinados pelo crime organizado na lista das agressões que seriam parte de uma “conspiração popular” contra a liberdade de imprensa.

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No documento da Fenaj, entre as violências sofridas pelos profissionais da velha imprensa, a chamada descredibilização corresponde a 35,51% de um total de eventos que o relatório considera “agressões à imprensa”.

O jornalismo tradicional vem enfrentando há vários anos uma queda vertiginosa na credibilidade, o que se reflete em pesquisas de opinião e na venda de jornais e assinaturas. Mas para a Fenaj, o problema não pode estar no jornalismo.

A entidade não menciona faltas éticas ou erros de parte do jornalismo, mas aponta para a pessoa do presidente Jair Bolsonaro e seus “apoiadores”, leitores que seriam influenciados por suas declarações, no que a Fenaj acredita ser uma campanha conspiratória sistemática contra os grandes e poderosos veículos de comunicação. Entende-se que o objetivo desse descrédito à imprensa seria ameaçar a liberdade de expressão desses jornalistas e censurá-los para instalar no país um sistema repressivo em que o poder emanaria do povo e não dos veículos de mídia.

“A descredibilização da imprensa foi, portanto, a violência mais frequente (35,51%)”, afirmou o relatório, que culpa o presidente e seus apoiadores pela perda de credibilidade dos veículos de mídia que controlam o jornalismo no Brasil. Recentemente, uma pesquisa do Data Poder mostrou que 61% da população vê com desconfiança o conteúdo dos jornais da grande mídia, dado que o relatório não menciona.

O documento também não menciona a prisão política do jornalista investigativo Oswaldo Eustáquio, impedido de se comunicar e publicar sem nenhuma acusação, fruto de ação política do Ministro Alexandre de Moraes, leitor assíduo da Folha de S. Paulo.

O relatório cita exemplos do que considera violência contra jornalistas e ataque à liberdade de expressão. Vejamos:

“Dos 428 casos, 152 (35,51%) foram de discursos que buscavam desqualificar a informação jornalística. Afirmações como “a mídia mente o tempo todo”, “a mídia é uma fábrica de fake news”, “vocês são lixo” e “TV Funerária”, referindo-se à empresas jornalísticas e a jornalistas foram repetidas reiteradas vezes, a maioria delas pelo próprio presidente”.

A Fenaj vê uma ação “sistemática” do presidente da República, aliado com seus apoiadores contra jornalistas para achincalhar, fazer piadas e ridicularizar o trabalho de jornalistas que se dedicam a tarefas como fiscalizar os gastos das compras alimentícias do governo ou divulgar, uma a uma, as mortes da pandemia com fotos de caixões nas capas de seus tabloides.

“Jornalistas passaram a ser agredidos por populares nas ruas e os ataques virtuais, por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, tornaram-se comuns. Apesar do aumento significativo, é muito provável que ainda haja subnotificação dos casos, porque muitos profissionais não chegam a denunciar o ataque sofrido”.

Acredita-se que as mentiras associadas aos grandes jornais bateram todos os recordes em 2020, mas a falta de matérias jornalísticas que contem essa história poderia acabar omitindo essa imagem realista da mente das pessoas. No entanto, mesmo sem a notificação dos jornais, muitos casos acabam vindo à tona pelas redes sociais. Os jornalistas já não podem sair às ruas, mas a culpa é dos leitores e de Bolsonaro, diz Fenaj.

O documento diz ainda:

A explosão de casos está associada à sistemática ação do presidente da República, Jair Bolsonaro, para descredibilizar a imprensa e à ação de seus apoiadores contra veículos de comunicação social e contra os jornalistas. Ela começou em 2019 e agravou-se em 2020, quando a cobertura jornalística da pandemia provocada pelo novo coronavírus foi pretexto para dezenas de ataques do presidente e dos que o seguiram na negação da crise sanitária.(grifos nossos).

A entidade menciona a “negação da crise sanitária” como uma das fontes da “violência”. Não acreditar ou desconfiar dos conglomerados da comunicação pode ser, segundo eles, uma “ameaça à democracia”. Entre as atitudes de “negacionismo” frequentemente denunciadas pelos jornais está a defesa, também pelo presidente, de tratamento precoce para Covid-19. Segundo especialistas consultados pelos jornais, tratar precocemente uma doença com medicamentos conhecidos e sem efeitos colaterais, como a medicina sempre recomendou antes de 2020, é superstição e “fantasia” e deve ser coibido.

O relatório chama a atenção ao buscar encontrar um culpado externo pela crise que vem causando a descrença na atividade jornalística profissional, transmitindo a ideia de que a credibilidade seria algo que a sociedade deve aos grandes grupos e não o contrário. Para a Fenaj, credibilidade não é algo que se conquista, mas um dever da sociedade.

O relatório diz ainda:

Sozinho, Bolsonaro foi responsável por 145 casos de descredibilização da imprensa, por meio de ataques a veículos de comunicação e a profissionais, e outros 26 registros de agressões verbais, duas ameaças diretas a jornalistas e dois ataques à FENAJ, totalizando 175 casos, o que corresponde a 40,89% do total.

O relatório aponta duas mortes de jornalistas, que tenta associar ao mesmo fenômeno contextualizado com as falas do presidente e de seus apoiadores. Os jornalistas foram assassinados pelo crime organizado na divisa com o Paraguai, mas entraram para a lista de mortes classificadas como resultado de uma “ação sistemática”.

Em 2020, um outro relatório também culpava o presidente pela crise jornalística e foi publicado pela ONG Artigo 19, financiada pelo bilionário George Soros. No início de 2021, um “consórcio de imprensa”, organizado por diversos órgãos da grande mídia, classificaram Bolsonaro como o “político mais corrupto de 2020”, com o financiamento do mesmo bilionário.

Os relatórios vêm sendo divulgados pela Abraji, que também recebe assumidamente o dinheiro da Open Society, fundação de Soros, e da Fundação Ford, ambas defensoras de pautas da extrema esquerda, contrárias às convicções da maioria da população brasileira, como “educação sexual alternativa” para crianças, legalização do aborto, descriminalização de todas as drogas, entre muitas outras. Essas pautas aparecem em todos os grandes jornais dos mesmos órgãos de mídia que são financiados por bilionários internacionais.

Em momento de menor popularidade, os jornalistas ligados à velha imprensa enfrentam hostilização em todo o país, o que se intensificou em 2020 com a cobertura sensacionalista da pandemia e, mais recentemente, em uma reportagem que destacava a despesa de órgãos públicos federais com “leite condensado”, o que muitos classificaram como simbólico da decadência e desespero do jornalismo tradicional.

A última pesquisa do Poder Data, órgão de pesquisas estatísticas ligado ao site Poder360, mostrou que pelo menos 61% dizem ter alguma desconfiança no conteúdo da imprensa. Esse número vem crescendo ao longo dos últimos anos e se acentuou durante o governo de Jair Bolsonaro.

Em maio de 2018, o editor da Piauí, Fernando de Barros e Silva revelou uma conversa interna dos editores da Folha de S. Paulo, na qual um editor anunciava que se iria “tentar prejudicar Bolsonaro fingindo fazer jornalismo”.

A frase simbólica deu o tom da cobertura desde então e culminou no resultado atual: lidos apenas pela elite política, jornalistas já não podem sair às ruas sem ser hostilizados pela população cansada da desinformação e militância das redações dos grandes grupos de mídia.