O Uniforme do Soldado em 2020

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Na passagem do ano de 2020 para o ano de 2020B, inúmeras características foram mantidas de uma temporada para a outra, mas a principal delas há de ser o uniforme do soldado.

O soldado de 2020, que lutou pelas liberdades e combateu os ditadores, tirou proveito da pandemia e do plano de 240Mega de Internet e fez a sua “revolução” sem sair de casa.

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O soldado combateu com o melhor uniforme que tinha: cueca velha, moletom desgastado, meião de futebol, camiseta hering com poucos furos visíveis, mas tudo bem lavado e com cheiro Omo e Comfort.

Uns ainda calçaram chinelos, outros pantufas; poucos ainda usavam máscara em seu próprio bunker de guerra.

Outros, sofisticados e prudentes, já se alistaram com robe de chambre ou de seda.

A turma da classe média foi de bermuda e camiseta Lupo, bem arejados.

O ano mais ridículo para os debates políticos na direta não passou de uma guerra de travesseiros virtual.

E muitos levaram tão a sério essa guerra de travesseiros que até se apresentaram de pijamas e assim ficavam dias a fio no front.

2020B deve manter esses soldados de pijama na defesa das Instituições, da Democracia e da Revolução Cultural. É a turma do “confia no pai” ou “Maia preso amanhã”.

Ali, na poltrona, sob aquele colete de balas de algodão, o soldado de pijama desvia de todas as balas e dislikes e é ótimo em pescar likes e aumentar a munição nessa guerra do pijama.

Sob lockdown, o guerreiro virtual de touca de crochê não desiste – puxa um corona voucher e se ajeita na cadeira gamer para mais uma batalha, enquanto o inimigo, de tornozeleira eletrônica, avança no orçamento do Estado, nas Instituições, na mídia e no meio empresarial.

E o guerreiro de pijama, lá na sua trincheira, atira no inimigo uma saraivada de likes enquanto toma, vez ou outra, um único e certeiro tiro que o oficial de justiça lhe joga por baixo da porta marcando um dia para que ele compareça na PF e explique o que ele quis dizer com aquele post que, dando-lhe tanta munição de likes, constituiu-lhe em belo violador da democracia ou produtor do terrível napalm da modernidade, essa coisa horrorosa chamada fake news.

Analfabeto funcional que é o soldado de pijama, pouco ou nada ele compreende da pergunta, respondendo sempre “confia no pai” ou “2022 é nosso”.

O inimigo já percebeu que ele não passa de um fanfarrão, de um bobo da corte e antes de 2022, talvez em 2020B mesmo, ele tende a desparecer, para a sorte dos travesseiros e a tristeza dos pijamas.