Mundo bizarro: por tweet contra máscaras, deputado é acusado de “crime contra a paz pública”

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O deputado estadual Jessé Lopes (PSL-SC) está sendo alvo de um processo insólito pela justiça de Santa Catarina: trata-se de um pedido de investigação por causa de uma frase dita nas redes sociais. Em um tweet, o deputado criticou o uso de máscaras nas ruas, recomendando que as pessoas não a utilizassem. A manifestação foi considerada pelo Tribunal de Justiça como possível “crime contra a paz pública”, e autorizou o Ministério Público a investigá-lo.

Segundo o jornal NSC, “em novembro, ele incitou seus seguidores nas redes sociais a não usarem máscara, contrariando decreto estadual e recomendação das autoridades de saúde”.

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Pelo Twitter, Jessé disse:

“Neste feriado saia de casa!! Vá viajar, vá no parque ou na praia!! E se puder não use máscara!”, publicou o parlamentar, que já foi perseguido pelo próprio governador Carlos Moisés. O governador retornou após ter sido afastado com o esforço dos deputados como Jessé.

O uso de máscaras para a prevenção da Covid-19 tem sido extremamente questionado por médicos e especialistas em saúde pública, conforme noticiamos nas últimas semanas. Além disso, não há evidências científicas de que o uso frequente de máscaras não crie problemas de saúde na população.

A investigação criminal é digna de um filme de ficção. Afinal, deputados possuem liberdade para expressar suas convicções, sem as quais não há representação política possível. Se os deputados não podem criticar as ações do governo, como obrigatoriedade das máscaras, nem é permitido questionar a sua efetividade já tão questionável, não haveria porque votar em determinado político. Bastaria que prestássemos culto à elite iluminada que nos governa por suas sempre sábias decisões. Temos a capacidade de duvidar da justiça de uma lei porque temos um senso de justiça anterior às leis, o que nos permitiu criá-las. Proibir críticas a decretos ou determinações baseadas na ciência significa instituir um sistema em que essas instituições definem o que é justo.