Ciência: Ensaio relaciona ânus masculino com a “mais-valia” nas ruas do Recife

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Já nos ensinava Augusto Comte que a Ciência é a “epítome do conhecimento positivo, o último estágio das três fases (teológica, metafísica e positiva) pelas quais passa o conhecimento humano”. Inevitavelmente, a Ciência nos leva ao futuro e impulsiona a Marcha da Civilização. A pesquisa a seguir constitui-se de exemplo de grande relevo.

Trata-se de um ensaio científico publicado e indexado na plataforma Scielo, de grande repercussão no prestigiado meio acadêmico e científico brasileiro. Dois pesquisadores decidiram adentrar em profunda pesquisa etnográfica (método de imersão social) para refletir acerca das “posições identitárias de homens que comercializam prazeres sexuais nas ruas do centro do Recife”. Para os autores da relevante pesquisa, o órgão excretor masculino é “símbolo de poder e subjugação nas relações que se estabelecem no mercado do sexo; sinalizador de virilidade e de mais-valia”. Em resumo, pobre só toma mesmo é no cu.

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Sob o título: “Apontamentos para uma economia política do cu entre trabalhadores sexuais”, o trabalho versa sobre a complexa dinâmica anal dos homens que vivem da nobre atividade. O trabalho da área de Psicologia e Sociedade, foi aceito e publicado pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco – Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH).

Submergindo aos recantos mais obscuros da teia socio-sexual do contexto laboral brasileiro, os pesquisadores descobriram uma injusta relação de poder que envolve aspectos do machismo e da misoginia entre homens homossexuais. Queixam-se, assim, de que a atividade acadêmica sobre esse tema frequentemente vem “estruturada nas personagens homem e bicha, as quais sinalizariam, respectivamente, masculinidade e feminilidade, bem como atividade e passividade sexual, balizadas pelo fato de o primeiro penetrar o segundo”, o que acaba tristemente numa dinâmica de repetição de uma sociedade patriarcal que evoca para si o prazer da penetração e a submissão de classes empobrecidas que, ao fim e ao cabo, resultam sempre tomando no cu.