Estudo sugere reavaliar exigência de máscaras durante exercícios físicos

Pesquisa aponta que pessoas com doenças cardiopulmonares são propensas a ter falta de ar durante exercício com máscara.

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Uma nova pesquisa sugere que a obrigatoriedade de máscaras durante exercícios físicos deve ser repensada para pessoas com doenças cardiopulmonares. Segundo o estudo, essas pessoas são mais propensas a sofrer dispneia, isto é, falta de ar e mal estar, quando praticam exercícios com máscaras. O artigo, publicado em 16 de novembro pelo periódico científico Annals of the American Thoracic Society, cita em sua conclusão:

“Dependendo da gravidade da sua doença subjacente, indivíduos com doença cardiopulmonares são mais propensos, em relação a indivíduos saudáveis, a experimentam aumento da dispneia durante exercício com uma máscara facial devido a pequenos aumentos na resistência e reinspiração de ar CO2 mais quente e ligeiramente enriquecido. Esses problemas podem servir de base para buscar isenções de regulamentos de máscara, mas os benefícios de diminuir a dispneia deve ser avaliada em relação aos riscos de contrair a infecção por SARS-CoV-2.”

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Nas pessoas saudáveis os pesquisadores também observaram falta de ar e mal estar durante a prática de exercício com máscaras. Contudo, não foi encontrada redução significativa na capacidade pulmonar quando usada a máscara. “Para indivíduos saudáveis, os dados disponíveis sugerem que as máscaras, incluindo respiradores N95, máscaras cirúrgicas e máscaras faciais de tecido podem aumentar a dispneia, mas apresentam efeitos pequenos e muitas vezes difíceis de detectar sobre o trabalho para respirar, gases sanguíneos e outros parâmetros fisiológicos durante atividade física, mesmo com exercício pesado/ máximo.”

Riscos

Em um vídeo que circula nas redes sociais, um médico otorrino conta ter atendido uma jovem que teria sofrido uma queda enquanto corria usando máscara. Segundo o médico, a jovem quebrou dois dentes e o nariz. O motivo, diz o especialista, foi a perda de consciência durante a corrida.

Mesmo após a morte de dois estudantes chineses que usavam máscaras ao se exercitarem, o que levantou alerta quanto à segurança do uso das máscaras durante o exercício físico, leis em todo o mundo acabaram recomendando e até obrigando a utilização sem levar em conta os riscos.

Médicos alertam para os níveis reduzidos de oxigênio no sangue pelo uso das máscaras, levando à redução da clareza mental, letargia e imunidades reduzidas. Essa condição, conhecida como “hipóxia”, pode levar as pessoas a perder o foco e tomar más decisões que podem ser perigosas para os outros.

O uso de máscaras exige mais esforço para respirar, o que causa desconforto respiratório adicional, especialmente em indivíduos cansados, idosos, doentes ou com imunidade comprometida. A maioria dos esforços médicos legítimos, com o objetivo de reduzir as doenças respiratórias, busca melhorar a capacidade do indivíduo de respirar, não bloqueá-la, impedi-la ou torná-la mais trabalhosa.

O otorrino Carlos Nigro, que lida diariamente com pacientes vítimas problemas respiratórios e infecciosos, lembra de lições básicas da medicina e obviedades, como o fato de que o ser humano está apto a respirar em ambientes sem máscaras. “Da mesma forma que uma máscara tem muito mais vírus e bactérias que o ar ambiente, um local ventilado também seria evidentemente melhor que um ambiente fechado. O ponto é que o mundo e nós mesmos não somos estéreis; uma obviedade que temos que começar a contar para as pessoas novamente”, explica.

Sem eficácia

Estudo realizado com mais de 6 mil pessoas na Dinamarca concluiu que as máscaras cirúrgicas não reduzem a taxa de infecção do Covid-19. O estudo foi publicado pela revista cientifica Annals of Internal Medicine, que tem mais de 90 anos de história.

“Nossos resultados sugerem que a recomendação de usar máscara cirúrgica fora de casa entre as outras pessoas não reduziu, em níveis convencionais de significância estatística, a incidência de infecção por SARS-CoV-2 dentro de um contexto em que o distanciamento social e outras medidas de saúde pública estavam em vigor, com exceção do uso de máscaras, que era algo incomum entre a sociedade”, aponta a conclusão do relatório.

O projeto dividiu os voluntários em dois grupos, um com 3.030 pessoas designadas aleatoriamente para a recomendação de usar máscaras, e outro com 2.994 participantes como controle (sem máscaras). A infecção com SARS-CoV-2 ocorreu em 42 participantes com máscaras recomendadas (1,8%) e 53 entre os participantes do grupo sem máscaras (2,1%). A diferença entre os grupos foi de 0,33%, ficando dentro da margem de erro da pesquisa.