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Milton Spada

Na madrugada da quinta feira, 19 de novembro, na Alemanha, o médico Andreas Noack teve sua residência invadida pela polícia enquanto fazia uma live em seu canal no YouTube. As cenas parecem coisa de filme de ficção, mas resumem a tensão que o mundo vive por conta dos casos de infecções provocadas pela COVID-19, e divulgadas de forma assustadora pelas mídias tradicionais.

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Aos berros, os policiais não bateram à porta, muito menos foram para conversar. Fortemente armados, eles arrombaram a porta e obrigaram o Dr. Noack a se curvar enquanto era algemado e preso. O tempo todo o vídeo continuou no ar e as cenas puderam ser vistas mundo afora, até que um dos policiais desligou a câmera.

O Dr. Andreas Noack é conhecido por ser um ativista contra as regras de lockdown em vigor na Alemanha desde o início das contaminações com o vírus chinês. Regras que foram recrudescidas há dois dias pelo parlamento alemão, que aprovou o parágrafo 28a, da Lei de Proteção contra Infecções.

Além de restrições como o fechamento de estabelecimentos e a proibição de eventos com aglomerações, agora a lei prevê até a possibilidade de que domicílios sejam invadidos, caso algum evento esteja supostamente atentando contra as regras sanitárias.

O crime do Dr. Noack foi produzir uma live onde trazia dados e informações que vão contra a eficácia do lockdown como ferramenta de combate à COVID-19. Isso bastou para que os seus direitos civis fossem obliterados.

Em todo o mundo, desde o início da pandemia, aconteceram situações de semelhantes desrespeitos aos direitos básicos dos cidadãos.

Quem não lembra do prefeito de São Paulo, maior cidade do Brasil, Bruno Covas, ordenando que estabelecimentos tivessem suas portas lacradas, inclusive com uso de solda elétrica, para impedir que comerciantes pudessem ganhar o pão de cada dia? Na Romênia, a solução adotada pelo governo para que a população respeitasse as regras de quarentena foi espalhar veículos militares pelas cidades, como forma de coação. No Panamá houve até uma ideia “genial”: proibir que homens e mulheres saíssem juntos às ruas. Teria sido uma regra para beneficiar gays?

No entanto, os próprios políticos, muitas vezes, não seguem as regras que impõem à população, o que ficou claro na própria Alemanha, onde o Presidente Frank-Walter Steinmeier cometeu um deslize. Enquanto dava uma entrevista para uma rede de televisão, usava comportadamente uma máscara. Bastou a entrevista terminar para que o ilustre Presidente removesse a máscara e a entregasse nas mãos de um assessor, só que a câmera continuou ligada e flagrou a cena. Quer dizer, encerrada a entrevista, o vírus não representa mais risco algum?

O telespectador que acompanhou a entrevista, por certo, foi fortemente influenciado da importância do uso de máscara, assim como tem sido levado a confundir número de contaminados com número de mortos na pandemia. Vale observar que o Presidente Steinmeier é do Partido Social-Democrata, um dos que aprovaram o parágrafo 28a da Lei contra Infecções da Alemanha, mas no caso, basta a população fazer o que ele manda, não o que ele faz.

O novo lockdown na Alemanha foi costurado pela Premier Ângela Merkel junto com os 16 governadores de Estados, e com aval do parlamento. As novas regras serão aplicadas em qualquer localidade onde sejam confirmados 35 casos de contaminação por cem mil habitantes, o que vem sendo considerado exagero por muitos cientistas e médicos, como o próprio Dr. Andreas Noack, dada a baixíssima letalidade do vírus, que não chega a 0,5% para a maioria das faixas etárias.

Sob a liderança da Alemanha, a Europa e o resto do mundo podem adotar regras semelhantes a partir de agora. Na Austrália, por exemplo, o governo parece disposto a permitir o retorno de algumas liberdades básicas, desde que os cidadãos instalem um aplicativo em seus celulares que permitirá rastrear todos os seus movimentos. Quem não topar, pelo visto, pode ter o mesmo destino do médico alemão.