Sem comprovação científica, máscaras provam poder de convencimento da mídia

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Em toda parte se observa o uso das famosas máscaras na população, após diversas leis municipais, estaduais e federais obrigando o uso. Embora a eficácia das máscaras seja tema de debate contínuo na comunidade médica, cresce o número de médicos que não recomenda o uso para pessoas saudáveis. As leis que impõe o uso se basearam em estudos científicos inconclusivos e com lacunas consideráveis em um tema que parece contrariar a experiência médica de décadas.

No início de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendava o uso de máscaras para pessoas saudáveis. A entidade estava embasada na experiência médica que vêm desde a pandemia do Influenza, com o H1N1, e na própria função das máscaras cirúrgicas, tanto para doentes quanto para médicos.

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A OMS alegava que, além de pouco efetiva, a máscara poderia trazer uma falsa sensação de segurança. Diversos estudos, incluindo alguns feitos no Brasil já durante o período da pandemia, demonstraram a falta de evidências que sustentassem o uso indiscriminado de máscaras por pessoas saudáveis. Mas isso mudou repentinamente.

As máscaras cirúrgicas têm a função de proteger o ambiente cirúrgico de eventuais gotículas da equipe médica em uma situação que precisa ser mantida totalmente protegida de bactérias. Em um trabalho de 2008, publicado no American Journal of Infection Control, pesquisadores reprovaram as máscaras em testes qualitativos de respiração normal e de exercícios feitos. “Nenhum dos tipos de máscaras cirúrgicas apresentou desempenho de filtro adequado e características de ajuste facial para serem consideradas dispositivos de proteção respiratória”, concluiu o estudo.

Se nem mesmo as máscaras cirúrgicas possuem alguma proteção para quem usa, imaginemos as de pano utilizadas por aí. Ao invés de isso causar pânico nas pessoas, porém, a conclusão lógica é a de que não há como proteger-se do vírus. Mas a questão é que mesmo em estudos mais recentes não foram encontradas evidências sobre a carga viral expelida. Essa quantidade é importante, pois baixa carga viral não infecta e nem gera doença, o que portanto indica não transmissão.

Ocorre que lacunas de estudos científicos raramente são mencionadas em matérias jornalísticas da grande mídia, o que acaba por confundir a população que, ignorante em matérias científicas, acaba por ser levada à obediência pelo medo e incerteza.

Em 19 de outubro de 2020, o UOL repercutiu uma matéria da agência Reuters que afirmava no título: CDC faz “forte recomendação” por uso obrigatório de máscara em aviões e trens. A obrigatoriedade das máscaras estão embasadas em uma série de estudos, entre eles, o trabalho do CDC sobre a transmissão aérea do Sars-Cov2.

Após todas as evidências apontadas, o CDC encerra concluindo que o vírus é novo e há diversos estudos a serem feitos para obter respostas conclusivas.

“Existem várias perguntas críticas que precisam ser respondidas para refinar a orientação para a prevenção de COVID-19, incluindo: Quão eficazes são os esforços de mitigação para prevenir a propagação de SARS-CoV-2, especialmente ventilação e mascaramento?

Qual proporção de infecções por SARS-CoV-2 são adquiridas por transmissão aérea?

Quais são as condições que facilitam a transmissão aérea?

Qual é a dose infecciosa do SARS-CoV-2 (quantos vírions são necessários para que a infecção ocorra)?

O tamanho do inóculo e a via de inoculação afetam o risco de infecção e a gravidade da doença?

Polêmica em torno dos “assintomáticos”

O conceito de assintomáticos é um importante elemento de convencimento para o uso das máscaras. No entanto, ele também carece de evidências e contraria da mesma maneira o conhecimento médico até 2020.

De acordo com o otorrino Carlos Nigro, o termo assintomático envolve certa confusão, já que foi trazido de outras áreas da medicina.

“O termo ‘assintomático’ é usado para uma pessoa que esteja com pressão alta, diabético, doenças metabólicas, alguém com um osso fraturado. Mas em doenças infecciosas é complicado porque o nosso sistema imunológico está em contínua batalha contra vírus e bactérias 24 horas por dia, durante toda a nossa vida, e isso sempre foi chamado, até 2020, de pessoas saudáveis”, explica Nigro.

“Quem tem o vírus e não tem a doença é o assintomático, antes chamado de pessoa saudável. O ‘pré-sintomático’ é o saudável que ficou doente, ou seja, só dá pra reconhecer quem era ‘pré-sintomático’ a posteriori, quando a pessoa já é doente. Isso é loucura”, afirma.

“Alguém que não tem sintomas não está doente”, diz Nigro. “Só transmite se compartilhar copos, talheres ou pelo beijo, não mais do que isso”. Segundo o otorrino, a ideia básica dos assintomáticos pode estar sendo fortalecida pelos falsos positivos gerados pelos testes PCR, risco previsto pelos próprios fabricantes do teste. O falso positivo é quando o teste capta uma quantidade pequena, parcelas virais ou mesmo outros patógenos que podem ser confundidos com o novo coronavírus. Mesmo que a imprecisão dos testes seja pequena, uma grande testagem na população trará naturalmente um número maior de falsos positivos.

Outros estudos apontaram uma taxa de 40 a 50% de falsos positivos para o teste de tipo PCR.

“Se o sistema imune estiver fraco ou a carga viral e patogenicidade do vírus for alta a pessoa começa a ficar doente e doente tem sintomas”, diz.

Já o pneumologista Wagner Malheiros, explica que o assintomático seria a pessoa que tem o vírus incubado e ainda levaria alguns dias para desenvolver sintomas. “Isso depende de vários fatores, mas as células possuem receptores cuja quantidade varia de pessoa para pessoa”, disse o médico.

“Crianças ainda não têm desenvolvidos os receptores, que ficam na região nasal, e homens têm mais do que mulheres”, esclarece. “Por isso a letalidade é maior entre os homens por covid”, explica.