China pagou jornais brasileiros e dos EUA para propaganda do regime, aponta relatório

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Diante da eloquente comemoração da vitória de Joe Biden, antecipada pela mídia e em meio a pressões internacionais para aprovação de vacinas chinesas para Covid 19, um relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe uma impressionante relação de pagamentos provenientes do China Daily, jornal em inglês controlado pelo Partido Comunista Chinês (PCCh), destinados a vários jornais internacionais, incluindo Washington Post e periódicos brasileiros como Folha de São Paulo, O Globo e Correio Braziliense.

O objetivo do financiamento era, segundo o relatório, promover propagandas governamentais.

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Os documentos, divulgados no dia 1° de junho, trazem pagamentos de aproximadamente US$ 19 milhões a veículos de imprensa. Segundo o site Insurgere, “o acordo é fundamentado na publicação de propagandas pró-Pequim disfarçadas de notícias reais, um informe chamado de ‘China Watch‘”. As despesas são referentes ao período entre novembro de 2016 a abril de 2020.

Esses números não se referem a gastos com publicidade, mas com conteúdo pago.

Segundo o relatório, a Folha de São Paulo, registrada como “Empresa Folha da Manhã S.A”, arrecadou US$ 405 mil como pagamento por compartilhar os conteúdos do China Daily. No mês de Janeiro de 2019, o Grupo Folha recebeu um valor muito acima da média anual: US$ 41,4 mil.

Já a Editora Globo recebeu aproximadamente US$ 109 mil, enquanto o Correio Braziliense arrecadou pouco mais que US$ 15 mil.

Os registros da Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA) mostram que nos últimos quatro anos o China Daily pagou cerca de US$ 6 milhões ao Wall Street Journal e US$ 4,6 milhões ao Washington Post

Outros gigantes do jornalismo americano também estão envolvidos no compartilhamento das “notícias”: cerca de US$ 753 mil foram pagos ao Los Angeles Times; a revista bimestral americana, Foreign Policy, recebeu um montante superior a US$ 240 mil; enquanto o maior jornal do mundo, The New York Times, conseguiu 50 mil dólares.

O site Defesa.Tv também relatou o documento. “Os dois jornais, de grande alcance no país, publicaram “suplementos pagos” que o jornal chinês produzia, chamado de “China Watch”. A intenção era vender as publicações como se fossem notícias reais, mas sempre fazendo propaganda em favor da China”.

Ao todo, em anúncios, o China Daily gastou US$ 11 milhões. No Twitter, foram US$ 265 mil em propagandas, mesmo com a proibição da rede social no país. Os US$ 7,6 milhões restantes foram gastos com jornais impressos.

A publicidade chinesa

A matéria do site Insurgere traz uma análise sobre o pagamento de publicidade pelo governo chinês:

“Embora a divulgação de seu governo seja uma ferramenta utilizada com muita frequência por outros países, a mídia estatal chinesa faz uso de métodos incomuns e nada transparentes para “comprar” os meios de comunicação estrangeiros. Desses métodos, estão o fornecimento de materiais gratuitos para seus parceiros e preço acima do normal na hora de comprar um espaço publicitário.

Com base nos registros anuais do China Daily junto ao governo dos EUA, sob a FARA, o orçamento e as despesas do jornal aumentaram dez vezes na última década; de cerca de US$ 500.000 no primeiro semestre de 2009 para mais de US$ 5 milhões em 2019. Cerca de US$ 3 milhões foram gastos apenas nos primeiros 4 meses de 2020.

Os dados também mostram que dos US$ 19 milhões gastos nos últimos 4 anos pelo China Daily para influenciar a política de outros países (principalmente nos EUA), mais de US$ 15 milhões foram apenas nos anos de 2017 e 2018.

A Analista de Pesquisa da Freedom House, Sarah Cook, afirma que as autoridades chinesas se referem a prática publicitária como “pegar um barco emprestado para chegar ao mar”. Portanto, o PCC possui uma motivação maior do que apenas divulgar seu governo.

Em fevereiro, o governo americano anunciou restrições a cinco meios de comunicação estatais chineses: Xinhua, CGTN, China Radio, China Daily e People’s Daily. As agências foram acusadas pelo governo dos EUA de servir como instrumentos de propaganda do governo chinês. Como resultado, foram forçadas a se registrar como embaixadas estrangeiras”.

Informações: Insurgere