Sem mencionar filiação política, UOL retrata Adélio como vítima de vida sofrida

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A vida de Adélio Bispo foi objeto do pequeno relato do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que teve acesso ao relatório de psiquiatras da prisão federal de Campo Grande sobre a vida e os transtornos mentais do ex-militante do PSOL, responsável pelo atentado contra o então candidato à presidência, Jair Bolsonaro, em 6 de setembro de 2018.

Nas redes sociais e no próprio link da matéria, pode-se ler comentários de leitores profundamente emocionados com a vida sofrida do criminoso, levados pelo relato, assim como lamentando o seu “fracasso” em dar cabo da vida do futuro presidente. A reportagem menciona que Adélio queria ser promotor de justiça. “Mas não teve dinheiro para fazer o curso”.

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A matéria destacou os sonhos de Adélio, as paranoias sobre a Maçonaria, o ódio que tinha de tudo o que representava autoridade. Teve mais de 30 empregos porque “não concordava com o sistema”. Segundo psiquiatras, ele se sentia inferiorizado. Um complexo de inferioridade, diz o relatório psiquiátrico, teria feito com que o criminoso buscasse a glória de estar no centro das atenções.

Apesar de tentar ilustrar a vida e as ideias de Adélio, a reportagem não menciona a sua passagem pelo partido de extrema-esquerda, o PSOL, nem o que teria motivado o ataque a Bolsonaro. Adélio foi filiado ao partido entre 2007 e 2014, segundo confirmado pelo próprio PSOL. Buscando humanizar o responsável por um crime político, o texto deixa de fora as justificativas de Adélio dadas em outros momentos, como suas frequentes repetições de aferições feitas amplamente pela mídia durante as eleições, como as acusações de que Bolsonaro seria “racista, homofóbico” etc.

Também não consta na matéria suas relações políticas, objeto de mistério até hoje, assim como os financiadores de seus advogados e o misterioso gabinete visitado por ele em Brasília antes do atentado.