Jornais ligam governadora a nazista de esquerda que amava Fidel e Mao Tse Tung

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A governadora interina de Santa Catarina, Daniela Reinehr, tomou posse dizendo ser mais bolsonarista que o governador Carlos Moisés, afastado temporariamente. Essa postura motivou os jornais a requentarem a polêmica de seu pai, Altair Reinehr, um professor de história que negava o Holocausto. Segundo reportagem da BBC News Brasil, porém, seu pai era colaborador da editora Revisão, criada em 1987 e que pertencia ao antissemita confesso Siegfried Ellwanger Castan (1928-2010). Castan era um nazista admirador de Fidel Castro e foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro mesmo sendo antissemita convicto.

“A publicação de livros que afirmavam que ‘quem sofreu com o holocausto foi o povo alemão’ resultou em uma condenação por crime de racismo no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A decisão foi depois confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2002, quando teve grande repercussão na imprensa”, diz a reportagem.

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Em um relatório sobre o processo envolvendo Castan, no site JusBrasil, um dado biográfico recolhido do depoimento do próprio acusado deixa mais clara a ideologia do nazista gaúcho que negava o Holocausto.

“Ellwanger era crítico ao sistema político americano, tendo visões contrarias e com isso era grande admirador de Fidel Castro, e outros regimes comunistas ao redor do mundo. Ele passou a se dedicar integralmente a pesquisas sobre a segunda guerra mundial, em especial sobre os campos de concentração nazifascista na Alemanha e Polônia, exaltando as execuções nas câmaras de gás, tendo livros sobre o tema. Por fim, ele ainda foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro”.

O antissemitismo de Castan não parece ter sido um problema para a sigla partidária socialista, que hoje é integrante do Foro de São Paulo. Em uma entrevista publicada no jornal As Missões, em 1997, Castan fala sobre suas simpatias políticas:

“Admiro muito o Sadam Hussein, o Fidel Castro, o Muammar Gaddafi, Stálin, Mao Tse-Tung. Sou fã do Gustavo Barroso [integralista e anti-sionista brasileiro], que eu considero o maior historiador brasileiro”, disse.

O próprio pai de Daniela, o professor Altair Reinehr, segundo a matéria, foi ex-sindicalista da categoria e chegou até a atuar na organização de greves dos professores na década de 1980. Em 1985, foi presidente da Associação de Professores de Maravilha (SC). “Ao mesmo tempo que defendia melhores condições de trabalho para os professores, o catarinense negava crimes da Alemanha nazista”, diz a matéria vendo enormes contradições.

Ao associarem Daniela aos nazistas do passado, os jornais oportunizam um importante resgate histórico ao lembrarmos de personagens que desmistificam o imaginário atual e midiático que associa o nazismo à direita.

A crença de que o nazismo é de direita é explicada pela associação superficial entre a ideologia e o nacionalismo adotado por Hitler, o que também foi amplamente adotado por Stalin, Mao Tse Tung, entre outros ditadores que buscavam se utilizar do sentimento popular para impulsionar sua ideologia totalitária.

Do ponto de vista da esquerda atual, o nazismo é classificado como direita por ter perseguido os adeptos do socialismo internacionalista, mundial, hoje hegemônico, em contraste com a opção de Hitler, do socialismo nacionalista.