Argentina cria órgão de censura para “proteger a população das fake news”

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O governo de Alberto Fernández criou na Argentina um polêmico órgão que controlará e perseguirá informações. Com a justificativa de “proteger a população das fake news”, o “observatório da desinformação e violência simbólica nos meios e plataformas digitais (Nodio)” já está sendo criticado pela Sociedade Iberoamericana de Prensa (SIP) como uma evidente política de censura ditatorial.

Até mesmo jornais da grande imprensa brasileira, alinhados ideologicamente ao presidente Fernández, viram com suspeita a ideia por deixar muita margem a interpretações de censura.

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A Defensoria do Público, órgão governamental criado em 2012 por Cristina Kirchner, anunciou a criação do observatório a partir de uma apresentação vaga e suspeita: “trabalhará na detecção, verificação, identificação e desarticulação das estratégias argumentativas de notícias maliciosas e na identificação de suas operações de difusão”.

O nome da iniciativa, “Nodio”, é um jogo de palavras juntando “no” e “ódio” (não + ódio), associado a conceitos em voga como linguagem inclusiva, pronomes neutros e politicamente correto. O conceito usual de fake news também está presente e a iniciativa representa uma das evidências mais claras do uso do conceito para a censura e a perseguição feita por um governo claramente autoritário, contra o qual diversas manifestações vêm sendo organizadas desde julho.

Entidade internacional de jornalismo critica censura argentina

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou nesta terça-feira a criação de um observatório de veículos de imprensa pelo governo da Argentina, que surge sob a justificativa de proteger a população das chamadas ‘fake news’. De acordo com a avaliação da SIP, órgão denominado Observatório da desinformação e violência simbólica nos meios e plataformas digitais (Nodio), pode ser classificado como “obscuro” e “não teve o necessário debate público” para sair do papel. “Lamentamos que, uma vez mais, um governo argentino, como tentaram outros no país, em várias épocas, busque julgar a conduta e os critérios editoriais dos meios de comunicação, decidindo o que é bom ou ruim para a sociedade”, indicou o presidente da SIP, Christopher Barnes.

*Informações: UOL, Crítica Nacional, Folha.