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Diante de previsões apocalípticas sobre a pandemia, como a de que a doença mataria mais de um milhão de pessoas até agosto, teve início uma corrida para a criação de leitos de UTI por parte de governadores e prefeitos em todo o país. Além de medidas de isolamento draconianas, que lembram os toques de recolher de episódios macabros do século XX, os administradores regionais gastaram milhões de reais na abertura de novos leitos para esperar o armagedon. Até sacos de cadáver foram comprados pelo prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, que agora tenta a reeleição.

Até a tarde desta quarta-feira, havia apenas 181 pacientes de covid internados em todo o Estado de Santa Catarina, que tem uma taxa de ocupação dos leitos de cerca de 29%. Com quase 500 leitos ociosos, o Estado pode estar operando em grande prejuízo após a abertura dos leitos extras, motivados pela histeria da pandemia gerada pelos jornais. Mesmo se considerarmos todo o sistema de saúde, incluindo hospitais particulares, a taxa geral de ocupação ainda é baixa, ficando em torno dos 66%, sendo 40% de pacientes com covid, mostrando uma situação particularmente confortável e muito distante do cataclisma que se previu.

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Entre as UTIs gerais, isto é, que abrigam pacientes de outras doenças, a taxa de ocupação tem girado em torno dos 80%, o que segundo a Secretaria da Saúde, está idêntico a períodos anteriores à pandemia. Isso pode indicar que outras doenças ou problemas de saúde deveriam ter maior atenção do que a doença que mobilizou todo o país e o mundo.

Em todo o estado catarinense, em pelo menos 15 hospitais a taxa de ocupação é menor que 20%, segundo dados da Secretaria de Saúde, e outros 38 hospitais operam com menos da metade da ocupação de UTIs para covid. Esses dados apontam para um questionamento a respeito do custo médio de manutenção dos leitos ociosos, disponíveis, que passam a ser a grande maioria.

A taxa de ocupação de leitos de UTI é um tema recorrente em gestão médica e há recomendações para que se evite tanto a superlotação quanto o desperdício. Diversos estudos científicos internacionais apontam para o risco de desperdícios de recursos quando a taxa de ocupação fica abaixo de 70%. A recomendação varia de acordo com o estudo, mas todos sugerem uma taxa não inferior a 60% para evitar grandes desperdícios.

Quanto custa uma UTI

De acordo com dados disponíveis no site da Universidade de Campinas (Unicamp), uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pode custar aproximadamente entre R$ 2,5 mil a R$ 3 mil por dia. Já a instalação de cada novo leito pode custar até R$ 180 mil.

Em julho, o jornal Notícias do Dia informou que o custo de uma UTI para tratamento da Covid-19 é de R$ 1.900,00 por dia por paciente. O Sistema Único de Saúde (SUS) repassa R$ 1.600,00. O restante é bancado pelo município.

O governador Carlos Moisés enfrenta atualmente um processo de Impeachment devido suspeita de fraude na compra de respiradores, além da construção de um hospital de campanha. Já o prefeito da Capital, Gean Loureiro, tenta a reeleição em meio a críticas do comércio e de empresários devido a decretos que se estenderam por tempo excessivo.

Fraudes vêm sendo denunciadas em todo o país e prefeitos e governadores já têm sido denunciados e acusados após compras suspeitas. A sensacional cobertura dos jornais embalou a histeria política, que aproveitou o estado de emergência e as preocupações com a doença para ampliar fraudes e desperdícios.

A cobertura dos jornais vem tentando manter o estado de pânico em relação à doença, omitindo quedas drásticas no número de óbitos e focando em recortes que apontam aumento no número de contágios. Em Santa Catarina, porém, houve redução até dos contágios, mesmo um mês após o governador assinar uma portaria que liberava atividades festivas fechadas.

No início de outubro, um homem foi preso pela guarda municipal quando corria sem máscara na Avenida Beira Mar Norte, em Florianópolis. A polícia da cidade já acumulou cerca de 5 mil “ocorrências de desobediência” ao decreto do prefeito Gean Loureiro, que recentemente foi diagnosticado com covid 19.