OMS volta a condenar isolamento como método de conter covid 19

1
Noon Briefing by the Spokesperson for the Secretary-General Guest: Dr. David Nabarro, Special Envoy on Ebola
Anúncio:

“Nós, da Organização Mundial da Saúde, não defendemos o lockdown como o principal método de controle desse vírus”, disse o Dr. Nabarro ao The Spectator (vídeo ao final da matéria). Em abril, o presidente da OMS, Tedros Adhanon já havia chamado a atenção para o problema da pobreza e o caos econômico por conta dos bloqueios do comércio, que se tornaram injustificados. Agora, o dr. Nabarro vai mais longe, afirma que as medidas foram desnecessárias e faz um apelo para que os governos voltem a abrir o comércio, destacou o site australiano News.com.

Nabarro falou do grande desastre econômico que afetou principalmente os mais pobres e as economias mais fragilizadas devido medidas exageradas de lockdown e mencionou o autor da Declaração de Barrington, que considerou ter levantado “um ponto muito importante”.

Anúncio:

O isolamento feito em Melbourne, na Austrália, foi um dos mais rígidos e longos do mundo. Na Espanha, em março, as pessoas não podiam sair de casa a menos que fosse para passear com seu animal de estimação. Na China, as autoridades fecharam as portas para impedir as pessoas de deixar suas casas. A OMS acredita que essas etapas foram em grande parte desnecessárias, disse o funcionário.

As políticas do lockdown em todo o mundo levaram em conta as primeiras orientações da OMS e da China, em um momento de grande comoção global devido às primeiras notícias de casos e mortes pelo novo coronavirus. Embora se afirmasse naquele momento que a doença era pouco conhecida, com o tempo muitas mudanças ocorreram na compreensão do quadro infeccioso, o que não foi acompanhado por adequações de alguns governos. Países que não optaram pelo isolamento radical foram até criticados pela entidade, como o caso da Suécia.

A OMS chegou a criticar publicamente o governo da Suécia por não seguir a recomendação. O número de mortos e infecções no país manteve-se muito próximo de países que aderiram às recomendações de bloqueio econômico e de circulação.

Sem admitir erro por parte da entidade, o funcionário da OMS justificou a escolha daquele momento.

“A única vez em que acreditamos que um bloqueio se justificava foi quando precisávamos ganhar tempo para reorganizar, reagrupar, reequilibrar recursos, proteger os profissionais de saúde que estavam exaustos. Mas em geral preferimos não fazer isso”, disse.

OMS elogia Declaração de Barrington que recomenda apenas hábitos de higiene

Pela primeira vez, mais de seis mil especialistas em saúde de todo o mundo se reuniram pedindo pelo fim dos bloqueios por coronavírus. Trata-se da Declaração de Barrington, que dizia que os bloqueios estavam causando “danos irreparáveis”.

“Como epidemiologistas de doenças infecciosas e cientistas de saúde pública, temos sérias preocupações sobre os impactos prejudiciais à saúde física e mental das políticas COVID-19 vigentes e recomendamos uma abordagem que chamamos de Proteção Focada”, dizia a petição.

“As atuais políticas de bloqueio estão produzindo efeitos devastadores na saúde pública de curto e longo prazo”, dizia a petição que já teve 12.000 assinaturas até agora.

Os autores da declaração foram Sunetra Gupta, da Universidade de Oxford, Jay Bhattacharya, da Universidade de Stanford e Martin Kulldorff, da Universidade de Harvard.

Quando questionado sobre a petição, o Dr. Nabarro, da OMS, disse: “Ponto muito importante do professor Gupta”.

Assista abaixo ao vídeo (em inglês) do dr. David Nabarro, da OMS, ao TV Spactator.