Jornalista diz que linguagem usada na indústria do vinho é racista e sexista

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Justin Sullivan / Getty
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Em artigo escrito para o San Franciso Chronicle, a jornalista e especialista em vinhos Esther Mobley passa a analisar o vocabulário que rodeia a indústria do vinho e seus apreciadores.

No texto cujo título é “A questão da diversidade do vinho começa com a maneira como falamos sobre o sabor do vinho”, Esther começa sua crítica dizendo que:

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“… está cada vez mais claro que a linguagem convencional usada para descrever o vinho não é apenas intimidante e opaca. Também é inextricável do racismo e do sexismo, excluindo dimensões de sabor que não são familiares aos brancos, culturas ocidentais que dominam o mundo do vinho fino e reforçam noções retrógradas de gênero.”

Esther Mobley então começa a problematizar que as palavras que descrevem o vinho e seus aromas são enraizadas na cultura ocidental e, por isso, são excludentes: “o vocabulário usado para vinhos finos está quase exclusivamente enraizado em sabores e aromas familiares à Europa Ocidental. Essa ideia surgiu muito em discussões recentes sobre a falta de diversidade racial na indústria do vinho, especialmente com Jireh, que me disse que no início de sua carreira foi condicionada a ‘moldar’ seu paladar a um ideal francês, embora os sabores franceses não fossem evocativos para ela.”

A autora do artigo também acusa que os donos de vinícolas e destilarias de vinho são majoritariamente brancos e que os negros que ocupam tais posições integram uma porcentagem ínfima.

“Proprietários de vinícolas e produtores de vinho precisam ter fluência nesse idioma para interagir com distribuidores, varejistas e clientes. Diante de tudo isso, não é de se surpreender que menos de 1% das vinícolas dos Estados Unidos tenham um proprietário ou vinicultor negro: a linguagem exclusiva é parte dessa exclusão maior”, queixou-se Esther.

O texto vai além ao encontrar “linguagem sexista” no vocabulário de vinho.

“Por exemplo, é comum descrever vinhos como ‘masculinos’ ou ‘femininos’”, continua Esther Mobley. “Um vinho masculino, devemos entender, é agressivo e musculoso; um feminino, delicado e floral.” E, concluindo, reconhece que, apesar de já ter usado essas expressões, promete não usá-las no futuro. “Eu mesmo usei esses termos no passado, mas não o farei no futuro – não apenas porque estes gêneros binários de vinho parecem aderir a um conjunto desatualizado e irrelevante de normas de gênero, mas também porque é vago e inútil.”